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Con el pie derecho

Adeildo Vieira

Com O Pé Direito

Quando eu nasci
Meus primeiros chinelos: o chão
Que batiam teimosos meus pés
Mas nunca os deixou cravar, não`

Foi quando eu vi
Que, então, eu era de nenhum chão
E o chão é só pra quando cair
Eu me arvorar com as próprias mãos

Fui-me embora de vez, de vez
Mando cartas de mês em mês
Só não me remeta, por favor
Não me enderece, não
Que eu não vivo nessa de
Plantar os meus pés em canto algum

Mas quando eu dobrei a esquina do tempo
Que é avenida, eu vi tudo em ruínas, vi
Ai Ai
Minha lembrança se foi
Foice no ontem/hoje
E nem olho pra trás

Quem derrubou as cercas do meu mundinho
Pra eu ver que ele era bem maior
Fez-me um favor
Eu que viveria miudinho e morreria só

Minha paz é cigana
Os meus pés
Da minha cama, a cabeceira

Os meus pés que me calçam
São fiéis companheiros
Pois sei
Nunca me darão rasteira

Con el pie derecho

Cuando nací
Mis primeras sandalias: el suelo
Que golpeaban tercamente mis pies
Pero nunca los dejó clavar, no

Fue cuando vi
Que, entonces, no pertenecía a ningún suelo
Y el suelo es solo para cuando caer
Me aventuraré con mis propias manos

Me fui para siempre, para siempre
Envío cartas de mes a mes
Solo no me envíes de vuelta, por favor
No me dirijas, no
Porque no vivo en eso de
Plantar mis pies en ningún lado

Pero cuando doblé la esquina del tiempo
Que es avenida, vi todo en ruinas, vi
Ay ay
Mi recuerdo se fue
Hoz en el ayer/hoy
Y ni siquiera miro hacia atrás

Quién derribó las cercas de mi pequeño mundo
Para que viera que era mucho más grande
Me hizo un favor
Yo que viviría pequeño y moriría solo

Mi paz es gitana
Mis pies
Desde mi cama, el cabecero

Mis pies que me calzan
Son fieles compañeros
Pues sé
Nunca me darán la espalda

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