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Lisboa

Adélia Pedrosa

Lisboa

Não namores os franceses
Menina, Lisboa,
Portugal é meigo às vezes
Mas certas coisas não perdoa
Vê-te bem no espelho
Desse honrado velho
Que o seu belo exemplo atrai
Vai, segue o seu leal conselho
Não dês desgostos ao teu pai

Lisboa não sejas francesa
Com toda a certeza
Não vais ser feliz
Lisboa, que idéia daninha
Vaidosa, alfacinha,
Casar com Paris
Lisboa, tens cá namorados
Que dizem, coitados,
Com as almas na voz
Lisboa, não sejas francesa
Tu és portuguesa
Tu és só pra nós

Olhai, senhores, esta Lisboa d'outras eras,
Dos cinco réis, das esperas e das toiradas reais!
Das festas, das seculares procissões,
Dos populares pregões matinais que já não voltam mais!

Lisboa, velha cidade,
Cheia de encanto e beleza!
Sempre tão formosa a sorrir,
E no vestir sempre airosa.
O branco véu da saudade
Cobre o teu rosto linda princesa!

Lisboa
Andou de lado em lado
Foi ver uma toirada
Depois bailou... bebeu...
Lisboa
Ouviu cantar o fado
Rompia a madrugada
Quando ela adormeceu

Lisboa adormeceu, já se acenderam
Mil velas nos altares das colinas
Guitarras pouco a pouco emudeceram
Cerraram-se as janelas pequeninas

Lisboa forme um sono repousado
Nos braços voluptuosos do seu Tejo
Cobriu-a a colcha azul do céu estrelado
E a brisa veio, a medo, dar-lhe um beijo

Lá vai Lisboa com a saia cor de mar
Cada bairro é um noivo que com ela vai casar!
Lá vai Lisboa com seu arquinho e balão,
Com cantiguinhas na boca e amor no coração!

Lisboa

No salgas con los franceses
Señorita, Lisboa
Portugal es dulce a veces
Pero ciertas cosas no perdonan
Te ves justo en el espejo
De este honorable anciano
Que su buen ejemplo atrae
Ve, sigue tu leal consejo
No le des a tu padre ninguna aversión

Lisboa, no seas francés
Por supuesto
No vas a ser feliz
Lisboa, qué mala idea
Vano, carne
Casarse con París
Lisbon, tienes novios aquí
¿Qué dices, pobrecitas?
Con las almas en la voz
Lisboa, no seas francés
Usted es portugués
Eres sólo para nosotros

Miren, caballeros, esta Lisboa de otras eras
Las cinco réis, la espera y las toiradas reales!
De las festividades, de las procesiones seculares
¡De los populares matutinos que ya no vuelven!

Lisboa, casco antiguo
Lleno de encanto y belleza!
Siempre tan hermosa sonriendo
Y en el vestido siempre suave
El velo blanco del anhelo
¡Cubre tu hermosa cara, princesa!

Lisboa
Wrode de lado a lado
Fui a ver una toirada
Luego bailó... bebió
Lisboa
Oído cantar el fado
Rompe el amanecer
Cuando se quedó dormida

Lisboa se quedó dormido, ya iluminado
Mil velas en los altares de las colinas
Guitarras poco a poco mudos
Las pequeñas ventanas estaban cerradas

Lisboa forma un sueño reparador
En los brazos voluptuosos de tu Tajo
La cubría la colcha azul del cielo estrellado
Y la brisa vino, con miedo, para darle un beso

Ahí va Lisboa con la falda de color mar
¡Cada barrio es un novio que se casará con ella!
Ahí va Lisboa con sus arcos y globo
¡Con pequeñas canciones en tu boca y amor en tu corazón!

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