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Catavento y Girasol

Adriana Capparelli

Catavento e Girassol

Meu catavento tem dentro
O que há do lado de fora do teu girassol
Entre o escancaro e o contido
Eu te pedi sustenido
E você riu bemol
Você só pensa no espaço
Eu exigi duração
Eu sou um gato de subúrbio
Você é litorânea
Quando eu respeito os sinais
Vejo você de patins
Vindo na contra-mão
Mas, quando ataco de macho
Você se faz de capacho
E não quer confusão
Nenhum dos dois se entrega
Nós não ouvimos conselho:
Eu sou você que se vai
No sumidouro do espelho
Eu sou do Engenho de Dentro
E você vive no vento do Arpoador
Eu tenho um jeito arredio
E você é expansiva
(o inseto e a flor)
Um torce pra Mia Farrow
O outro é Woody Allen...
Quando assovio uma seresta
Você dança, havaiana
Eu vou de tênis e jeans
Encontro você demais:
Scarpin, soirée
Quando o pau quebra na esquina
Você ataca de fina
E me oferece em inglês:
É fuck you, bate-bronha
E ninguém mete o bedelho:
Você sou eu que me vou
No sumidouro do espelho
A paz é feita no motel
De alma lavada e passada
Pra descobrir logo depois
Que não serviu pra nada
Nos dias de carnaval
Aumentam os desenganos:
Você vai pra Parati
E eu pro Cacique de Ramos
Meu catavento tem dentro
O vento escancarado do Arpoador
Teu girassol tem de fora
O escondido do Engenho de Dentro da flor
Eu sinto muita saudade
Você é contemporânea
Eu penso em tudo quanto faço
Você é tão espontânea!
Sei que um depende do outro
Só pra ser diferente
Pra se completar
Sei que um se afasta do outro
No sufoco somente pra se aproximar
Cê tem um jeito verde de ser
E eu sou mais vermelho
Mas os dois juntos se vão
No sumidouro do espelho

Catavento y Girasol

Mi catavento tiene adentro
Lo que hay afuera de tu girasol
Entre lo abierto y lo contenido
Te pedí un sostenido
Y tú te reíste bemol
Solo piensas en el espacio
Yo exijo duración
Soy un gato de barrio
Tú eres costera
Cuando respeto las señales
Te veo en patines
Viniendo en sentido contrario
Pero, cuando actúo de macho
Tú te haces la alfombra
Y no quieres problemas
Ninguno de los dos se entrega
No escuchamos consejos:
Soy yo quien se va
En el sumidero del espejo
Soy del Engenho de Dentro
Y tú vives en el viento de Arpoador
Tengo un carácter arisco
Y tú eres expansiva
(el insecto y la flor)
Uno apoya a Mia Farrow
El otro es Woody Allen...
Cuando silbo una serenata
Tú bailas, hawaiana
Voy con zapatillas y jeans
Te encuentro demasiado:
Zapatos de tacón, fiesta
Cuando la cosa se pone fea en la esquina
Tú actúas fina
Y me ofreces en inglés:
Es un vete al diablo, idiota
Y nadie se mete:
Soy yo quien se va
En el sumidero del espejo
La paz se hace en el motel
Con el alma lavada y planchada
Para descubrir luego
Que no sirvió de nada
En los días de carnaval
Aumentan las desilusiones:
Tú vas a Parati
Y yo al Cacique de Ramos
Mi catavento tiene adentro
El viento abierto de Arpoador
Tu girasol tiene afuera
Lo escondido del Engenho de Dentro de la flor
Siento mucha nostalgia
Tú eres contemporánea
Pienso en todo lo que hago
¡Tú eres tan espontánea!
Sé que uno depende del otro
Solo para ser diferente
Para complementarse
Sé que uno se aleja del otro
En el apuro solo para acercarse
Tienes una forma verde de ser
Y yo soy más rojo
Pero los dos juntos se van
En el sumidero del espejo

Escrita por: Aldir Blanc / Guinga