395px

Sertaneja

Alaíde Costa

Sertaneja

Dengosa, sestrosa, derriçosa, odorosa flor
Maldosa, formosa, sertaneja, meu lindo amor
Anjinho! Benzinho! Meu carinho! Meu beija-flor!
Condena, sem pena, que minh’alma te adora o rigor

Quando tu passas na orla dos montes
Caminhos da fonte, da tarde ao morrer
Meu pranto rola por sobre a viola
Que a noite consola no seu gemer

Provocante, radiante, delirante, ondulante
No teu fado ritmado, tu nos fazes até chorar
Logo a gente, a gente sente uns desejos dos teus beijos
Uns desejos dos teus beijos, que até nos fazem delirar

Ingrata, ingrata, volve a mim o teu doce olhar
Teu riso me mata! Me sufoca! Me faz banzar!
Desata, desata esse olhar do meu coração
Ingrata! Ingrata! Suspirosa irerê do sertão!

Também se passas, formosa e tirana
Na minha choupana da tarde ao cair
Vou te seguindo na estrada arenosa
Qual rola saudosa, a carpir, carpir

Na dança deslizas e assim pisas mil corações
Teu peito é o leito, doce leito das tentações
Teus olhos, teus olhos, vagalumes de ingratidões
Teus olhos, teus olhos são queixumes de nossas paixões!

Sertaneja

Coqueta, juguetona, seductora, fragante flor
Maliciosa, hermosa, sertaneja, mi lindo amor
¡Angelito! ¡Cariñito! ¡Mi cariño! ¡Mi colibrí!
Condena, sin piedad, que mi alma te adora con rigor

Cuando pasas por la orilla de las montañas
Caminos de la fuente, de la tarde al morir
Mis lágrimas ruedan sobre la viola
Que la noche consuela en su gemir

Provocativa, radiante, delirante, ondulante
En tu destino rítmico, nos haces incluso llorar
Pronto uno siente unos deseos de tus besos
Unos deseos de tus besos, que nos hacen delirar

Ingrata, ingrata, vuelve a mí tu dulce mirar
¡Tu risa me mata! ¡Me sofoca! ¡Me hace temblar!
Desata, desata esa mirada de mi corazón
¡Ingrata! ¡Ingrata! Suspirante irerê del sertón

También si pasas, hermosa y tirana
En mi choza de la tarde al caer
Te sigo por el camino arenoso
Como rueda nostálgica, a lamentar, lamentar

En la danza deslizas y así pisas mil corazones
Tu pecho es el lecho, dulce lecho de las tentaciones
Tus ojos, tus ojos, luciérnagas de ingratitudes
Tus ojos, tus ojos son lamentos de nuestras pasiones

Escrita por: Catullo da Paixão Cearense / Ernesto Nazareth