Negreiros
A minha cara é negra, negra
Como negro é todo mundo
A minha alma é negra, negra
Como negro é todo o conjunto
Minha lágrima é negra
Como negra é tua presença
O oposto da ausência
Quando choro um oceano
Negro, negro, negro
Como negro é o azulão
Que bebe do meu pranto
Quando vais embora
Levando teus olhos negros
Deixando minha alma morta
E cada dia um segredo
Mas quando tu voltas
Trazendo teus olhos negros
A minha alma ainda chora
Pois sou homem e tenho medo
A minha alma é pobre
É alma de quem sofre
E alma de quem
Espera alguém
Que enquanto não vem
Fica por aí chorando
Escrevendo poemas no lenço
Não sei por quanto tempo
Ainda vou ficar chorando
Matando o tempo
Esperando morrer de banzo
Quando vais embora
A minha alma é índia
E de um mulato mameluco
A alma que chora sozinha
Num canto, num quarto escuro
Esse sertão é minha ilha
Não bato mais fotografias
Meu violão fica mudo
Quando vais embora
Negreiros
Negreiros
Negreiros
Negreiros
Negreiros
Negreiros
Negreiros
Mi rostro es negro, negro
Como negro es todo el mundo
Mi alma es negra, negra
Como negro es todo el conjunto
Mi lágrima es negra
Como negra es tu presencia
Lo opuesto a la ausencia
Cuando lloro un océano
Negro, negro, negro
Como negro es el azulejo
Que bebe de mi llanto
Cuando te vas
Llevándote tus ojos negros
Dejando mi alma muerta
Y cada día un secreto
Pero cuando regresas
Traendo tus ojos negros
Mi alma aún llora
Pues soy hombre y tengo miedo
Mi alma es pobre
Es alma de quien sufre
Y alma de quien
Espera a alguien
Que mientras no llega
Se queda llorando por ahí
Escribiendo poemas en el pañuelo
No sé por cuánto tiempo
Seguiré llorando
Matando el tiempo
Esperando morir de melancolía
Cuando te vas
Mi alma es india
Y de un mulato mestizo
El alma que llora sola
En un rincón, en una habitación oscura
Este sertón es mi isla
Ya no tomo más fotografías
Mi guitarra queda en silencio
Cuando te vas
Negreiros
Negreiros
Negreiros
Negreiros
Negreiros
Negreiros
Escrita por: Alan Mendonça / Pingo de Fortaleza