Apúlio das Neves
Mentira não tem idade
Como os quebrantos e os breves...
Me chamo Apúlio das Neves,
Sempre falei a verdade!
Curtindo necessidades
Fui até "passar a pronto",
Por isso os causos que eu conto
Tem forças de mil verdades!
..."Nós era quatro comigo,
O Beijos Vargas e eu.
O Beijos Vargas morreu,
Fiquei só eu meu amigo!"
"Da paleta de um tamanduá
Fiz tábua pra lavr roupa.
Seiscentas "mulher" lavavam,
Nenhuma estorvava a outra,
Distância de légua e meia
Tinha um quarador de roupa!"
Nunca menti pra ninguém,
Meus "causo" a ciência explica...
Eu vi um avestruz nanica
Nos campos do Itaroquém!
"Noite de lua vermelha,
Mula do casco rachado,
Peixe morrendo afogado,
Lagarto com sobrancelha!"
Podem me chamar de louco,
Mas eu já pegui a em trampa.
Desde o cururu de guampa
Até o lagarto pitoco!
Pra ensiná mal ensinado,
Que não respeita meu nome...
Eu fiz um relho trançado
Do couro do lobisomem!
Se não agüentar a ausência
Volto do céu amanhã
Pra minha velha querência
Nos campos do Nhú-Porã!
Apúlio das Neves
La mentira no tiene edad
Como los quebrantos y los breves...
Me llamo Apúlio das Neves,
¡Siempre hablé la verdad!
Disfrutando necesidades
Fui hasta 'pasar a pronto',
Por eso las historias que cuento
¡Tienen fuerza de mil verdades!
...'Éramos cuatro conmigo,
El Beijos Vargas y yo.
El Beijos Vargas murió,
¡Quedé solo yo, mi amigo!'
'De la paleta de un oso hormiguero
Hice tabla para lavar ropa.
Seiscientas 'mujeres' lavaban,
Ninguna molestaba a la otra,
A una distancia de legua y media
Había un lavadero de ropa!'
Nunca le mentí a nadie,
Mis 'historias' la ciencia explica...
Vi un avestruz enano
En los campos de Itaroquém!
'Noche de luna roja,
Mula con casco rajado,
Pez muriendo ahogado,
¡Lagarto con ceja!'
Pueden llamarme loco,
Pero ya agarré en trampa.
Desde el sapo de cuerno
Hasta el lagarto pequeño!
Para enseñar mal enseñado,
Que no respeta mi nombre...
Hice un látigo trenzado
Del cuero del lobisón!
Si no aguantan mi ausencia
Vuelvo del cielo mañana
A mi vieja querencia
En los campos del Nhú-Porã!