O Menino Pobre
Eu vinha vindo do trabalho ontem à tarde
E vi o mundo covarde desenhado em minha frente
Uma criança sentadinha na calçada
Chorando desesperada, dava pena da inocente
Ao perguntar por que ela chorava tanto
Com o rosto banhado em pranto respondeu a soluçar
Se eu lhe contar o que eu vi neste momento
Nem que seja só por dentro o senhor também vai chorar
Veja, seu moço, aquela mansão bonita
De janelas esquisitas, deve ser de um tubarão
Eu vi alguém, parecia empregada
Tratando da cachorrada, os dodóis do seu patrão
E eles comiam carne mesmo à vontade
E pra dizer a verdade, minha esperança morreu
Pois aqui fora sou tratado como um bicho
Quem vira latão de lixo são crianças como eu
Seu só queria, seu moço, neste momento
Estar do lado de dentro do quintal de uma mansão
Comendo aquilo que até os cachorros comem
Acabava minha fome e a cruel humilhação
E o povo ainda me chama de vagabundo
Conheço bem o meu mundo e não tem nada pior
Por isso eu penso que se eu fosse um cachorrinho
Eu teria mais carinho e o meu mundo era melhor
El Niño Pobre
Venía del trabajo ayer por la tarde
Y vi el mundo cobarde dibujado frente a mí
Un niño sentado en la acera
Llorando desesperado, daba pena la inocente
Al preguntar por qué lloraba tanto
Con el rostro bañado en llanto respondió sollozando
Si te cuento lo que vi en este momento
Aunque sea solo por dentro, también llorarás
Mira, señor, esa mansión bonita
Con ventanas extrañas, debe ser de un tiburón
Vi a alguien, parecía empleada
Cuidando de los perros, las dolencias de su patrón
Y comían carne a sus anchas
Y para decir la verdad, mi esperanza murió
Pues aquí afuera soy tratado como un animal
Quien se convierte en lata de basura son niños como yo
Solo quería, señor, en este momento
Estar del lado de adentro del patio de una mansión
Comiendo lo mismo que hasta los perros comen
Se acabaría mi hambre y la cruel humillación
Y la gente aún me llama vagabundo
Conozco bien mi mundo y no hay nada peor
Por eso pienso que si fuera un perrito
Tendría más cariño y mi mundo sería mejor
Escrita por: Alcino Alves / Praense