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Sirena

Alexandre Lemos

Sereia

Sou sereia quando canto
Sou as aguas do dilúvio
Cananéia
Cheia e meia
Portal dos mares vazantes
Sou arco flecha sou barco
Sou teu castelo de areia
Sou corrente sou cadeia
Da escuridão candeia
Sou a taça onde o universo
Se embriaga e incendeia
Sou o útero da lua
Sou garganta da baleia
Sou começo e fim o fundo
Onde soa a dor do mundo
Sou da dor a panacéia
Viagem nave galáxia
Sou a filha da Medéia
Das estrelas sou a teia
Corro sangue em tuas veias
Quando canto sou sereia
Sou farol dos amadores
Perdição dos pescadores
Sou a voz que insiste forte
Na vida onomatopéia
Sou o coração que bate
Junto com toda a platéia

Sirena

Soy sirena cuando canto
Soy las aguas del diluvio
Cananéia
Llena y media
Portal de los mares vacíos
Soy arco, flecha, soy barco
Soy tu castillo de arena
Soy corriente, soy cadena
De la oscuridad candela
Soy la copa donde el universo
Se embriaga e incendia
Soy el útero de la luna
Soy garganta de la ballena
Soy principio y fin, el fondo
Donde resuena el dolor del mundo
Soy de la dolor la panacea
Viaje, nave, galaxia
Soy la hija de Medea
De las estrellas soy la red
Corre sangre en tus venas
Cuando canto soy sirena
Soy faro de los amantes
Perdición de los pescadores
Soy la voz que insiste fuerte
En la vida onomatopeya
Soy el corazón que late
Junto con toda la platea