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No estamos locas

Aline Peixoto

Nós não somos loucas

Não amor, não é nada contra você
Só que pra falar de mulher
Mulher você precisa ser
Dá até pra esboçar, imaginar, especular
Mas enfia em outro lugar essa certeza
Sobre um assunto que você não tem propriedade pra falar
Porque pela minha goela não vai mais passar

Lembrei daquela piada sobre a força
A força que deus pode te dar
No final é paciência que se pede né?
Mas tô aceitando a primeira, pode mandar.
Agora nos resta descobrir como dar o grito
Paciência nós já temos
Como é que a gente vai fazer
Pra assustar tudo aquilo que ronda os nossos espelhos
Não me venha dizer o que eu tenho que fazer
O que vestir, o que comer
Se eu vou ter filho, ou não
Se eu vou casar, ou não
Até se eu vou dar, já querem decidir por mim
Como se eu não fosse capaz, nem de saber essas coisas de homem
Coisas assim.
E toda essa merda que construíram pra dizer
Como é que os meus pelos devem crescer
Ou se os meus seios eu devo prender
Ser sexy, gostosa, mas sem ser vulgar
É assim que tem que ser

Não dá nem pra acreditar
O quanto cobram que sejamos perfeitas
E não nos dão nem o direito de argumentar.

Me deixa gozar do jeito que eu quiser
Do jeito que eu acho que tem que ser
Dos pés a cabeça
Meu corpo está sob o meu poder

Ler relatos sobre estupro me trazem uma raiva que eu não gosto de sentir
O punho cerrado, o suor frio
E a cena viva na cabeça
Meus pensamentos são sempre sangrentos
Estamos todas condenadas a essa tormenta?
Não adianta fugir pra onde você olha
Tentam te engolir, te tolher, te diminuir
Te fazer acreditar que nada desse mimimi que você grita vai adiantar
Eu não dou conta de chorar, NÃO!
Tudo o que transborda vem e eu deixo vir
Essa força transforma nossa forma de viver
Sem violência
Sem medo do que o futuro pode trazer

Me deixa gozar do jeito que eu quiser
Do jeito que eu acho que tem que ser
Dos pés a cabeça
Meu corpo está sob o meu poder

No estamos locas

No amor, no es nada en tu contra
Solo que para hablar de mujer
Mujer, tienes que ser
Puedes intentar, imaginar, especular
Pero métete en otro lado esa certeza
Sobre un tema del que no tienes autoridad para hablar
Porque por mi garganta no pasará más

Recordé aquel chiste sobre la fuerza
La fuerza que Dios puede darte
Al final, ¿no es paciencia lo que se pide?
Pero estoy aceptando la primera, mándala.
Ahora nos toca descubrir cómo gritar
Ya tenemos paciencia
¿Cómo vamos a hacer
Para asustar todo lo que ronda nuestros espejos?
No vengas a decirme qué debo hacer
Qué vestir, qué comer
Si tendré hijos, o no
Si me casaré, o no
Incluso si voy a dar, ya quieren decidir por mí
Como si no fuera capaz, ni de saber esas cosas de hombre
Cosas así.
Y toda esta mierda que construyeron para decir
Cómo deben crecer mis vellos
O si debo sujetar mis senos
Ser sexy, atractiva, pero sin ser vulgar
Así es como debe ser

Ni siquiera puedo creer
Cuánto nos exigen ser perfectas
Y ni siquiera nos dan el derecho de argumentar.

Déjame disfrutar como quiera
Como creo que debe ser
De pies a cabeza
Mi cuerpo está bajo mi poder

Leer relatos sobre violaciones me genera una rabia que no me gusta sentir
El puño cerrado, el sudor frío
Y la escena viva en la cabeza
Mis pensamientos siempre son sangrientos
¿Estamos todas condenadas a esta tormenta?
No sirve de nada huir a donde mires
Intentan devorarte, restringirte, disminuirte
Hacer que creas que nada de este lloriqueo que gritas servirá de algo
¡No puedo contener las lágrimas, NO!
Todo lo que desborda viene y lo dejo venir
Esta fuerza transforma nuestra forma de vivir
Sin violencia
Sin miedo a lo que el futuro pueda traer

Déjame disfrutar como quiera
Como creo que debe ser
De pies a cabeza
Mi cuerpo está bajo mi poder

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