Ciranda Pantaneira
Quem conhece carandá, quem conhece camalote
Quem conhece tarumã é do pantanal
Ser pantaneiro é sentir o cheiro da fruta
Nadar em águas barrentas
Remar em águas correntes
Ser pantaneiro é a fuga da morte
É a busca da vida
Tem cheiro de cama lote, tem gosto de tarumã
Pantaneiro chegou a hora de você cantar
Pantaneira chegou a hora de você dançar
E mostre essa ciranda nascida no Pantanal
"Marrequinha da lagoa, tuiuiú do pantaná
Marrequinha pega um peixe, tuiuiú já vem pegá"
Na beira de mil lagoas
Vou remando minha canoa
Eu não faço verso à tôa, sou molhado pela cheia
Sou queimado pelo sol, tiquira que vem subindo
Peixe grande vem atrás
Na flor desse camalote meu canto não é de morte
Jenipapo é isca forte, pescador do pantanal
Sou burro pantaneiro, sou vaca pantaneira
Na folha que a água leva, leva o bem e leva o mal
Eu sou burro pantaneiro, sou fruta do pantanal
Onde nasce carandá não nasce caraguatá
Onde tem caraguatá tem buraco de tatu
Onde tem caraguatá cavalo não pode andá
Ciranda Pantaneira
Quien conoce el carandá, quien conoce el camalote
Quien conoce el tarumá es del pantanal
Ser pantaneiro es oler la fruta
Nadar en aguas turbias
Remar en aguas corrientes
Ser pantaneiro es escapar de la muerte
Es buscar la vida
Huele a camalote, sabe a tarumá
Pantaneiro es hora de que cantes
Pantaneira es hora de que bailes
Y muestra esta ciranda nacida en el Pantanal
"Marrequinha de la laguna, tuiuiú del pantanal
Marrequinha pesca un pez, tuiuiú ya viene a por él"
En la orilla de mil lagunas
Remo mi canoa
No hago versos en vano, estoy mojado por la crecida
Quemado por el sol, la tiquira sube
El pez grande viene detrás
En la flor de este camalote mi canto no es de muerte
El jenipapo es un cebo fuerte, pescador del pantanal
Soy burro pantaneiro, soy vaca pantaneira
En la hoja que el agua se lleva, se lleva el bien y se lleva el mal
Soy burro pantaneiro, soy fruta del pantanal
Donde nace el carandá no nace el caraguatá
Donde hay caraguatá hay agujero de tatu
Donde hay caraguatá el caballo no puede andar