395px

Viudas de la Sequía

Amandi Cortez

Viúvas Da Seca

Não chore menino
Eu vou me embora pra Sum Paulo
Eu vou me embora pra Sum Paulo

Órfão estou das minhas mãos
Minha sina já marcada a geração
O choro berra ao espaço
De uma barriga verminosa

A pisar descalço
A insolação
Desde os primeiros anos
Falta pão

Não chore menino

Falta teto
Falta chão
Falta carne
Falta grão

Falta vaca
Plantação
Armário, dente
E João

Falta sumo
Sobram ossos
Falta açude
E vacinação

É a peleja
Humilhação
Não se aprende
Nem com cinturão

E só sobra
Sua peleja
E seus raros
Grãos de feijão

Que se perdem na fineza
Do caldo e mastigação

Não chore menino

Na esperança, na janela,
Sempre esperando por João
Sou viúva da seca, na industria da esmolação

Viudas de la Sequía

No llores niño
Me voy a São Paulo
Me voy a São Paulo

Huérfano estoy de mis manos
Mi destino ya marcado por la generación
El llanto resuena en el espacio
De un vientre lleno de gusanos

Al caminar descalzo
La insolación
Desde los primeros años
Falta pan

No llores niño

Falta techo
Falta suelo
Falta carne
Falta grano

Falta vaca
Plantación
Armario, diente
Y João

Falta jugo
Sobran huesos
Falta embalse
Y vacunación

Es la lucha
La humillación
No se aprende
Ni con cinturón

Y solo queda
Tu lucha
Y tus escasos
Granos de frijol

Que se pierden en la finura
Del caldo y la masticación

No llores niño

En la esperanza, en la ventana,
Siempre esperando a João
Soy viuda de la sequía, en la industria de la caridad

Escrita por: Amandi Cortez