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Lección de Campesino

Amarante e Amaraí

Lição de Caboclo

Enquanto o Trindade louvava o Divino
Surgiu um grã-fino num certo salão
Falando horrores com ares de troça
Da gente da roça que cuida do chão

Mas entre os presentes, um moço que ouvia
Com diplomacia chamou-lhe a atenção
Eu venho pedir-lhe, seu mau brasileiro
Que trate o roceiro com educação

Jogando pra trás os cabelos compridos
Num gesto atrevido falou arrogante
Quem és, oh, Caipira, com esta rompança?
Te dar confiança me é humilhante

Meu pai tem riquezas e na sociedade
Só faço amizade com gente importante
E quem te apoia, caipira atrasado
Procure atestado de ignorante

Respondeu o moço com educação
Vim ver o sertão onde fui criado
Agora a verdade tem que vir à tona
Não me impressiona seu papo furado

Que vale esta panca de rico fingido
Se és atrevido ou mal educado
Sou pobre e humilde, mas digo a verdade
Que na faculdade eu fui diplomado

Respeito e defendo o nosso roceiro
Que ganha dinheiro lavrando o chão
Sem ele coitado, que alguns enriquecem
E às vezes se esquecem que comem feijão

Ouvindo estas frases, toda a caboclada
Em fila formada apertaram-lhe a mão
E o moço grã-fino vencido bradava
Eu não esperava por esta lição

Lección de Campesino

Mientras Trindade alababa al Divino
Apareció un pijo en cierto salón
Hablando barbaridades con aires de burla
Sobre la gente del campo que cuida la tierra

Pero entre los presentes, un joven que escuchaba
Con diplomacia le llamó la atención
Vengo a pedirte, mal brasileño
Que trates al campesino con educación

Arrojando hacia atrás su larga cabellera
En un gesto atrevido habló arrogante
¿Quién eres, oh, Campesino, con esa fanfarronería?
Darte confianza me resulta humillante

Mi padre tiene riquezas y en la sociedad
Solo hago amistad con gente importante
Y aquellos que te apoyan, campesino atrasado
Busquen un certificado de ignorante

Respondió el joven con educación
Vine a ver el sertón donde fui criado
Ahora la verdad tiene que salir a la luz
Tu charla vacía no me impresiona

¿De qué sirve esa pose de rico fingido
Si eres atrevido o mal educado?
Soy pobre y humilde, pero digo la verdad
Que en la universidad me gradué

Respeto y defiendo a nuestro campesino
Que gana dinero labrando la tierra
Sin él, pobrecito, algunos se enriquecen
Y a veces olvidan que comen frijoles

Escuchando estas palabras, toda la gente del campo
En fila formada le estrecharon la mano
Y el joven pijo vencido exclamaba
No esperaba esta lección

Escrita por: Goia / Julião Saturno