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Lo Que Será (A Flor de la Piel)

Ana Lee

O Que Será (À Flor da Pele)

O que será que me dá
Que me bole por dentro, será que me dá
Que brota à flor da pele, será que me dá
E que me sobe às faces e me faz corar
E que me salta aos olhos a me atraiçoar
E que me aperta o peito e me faz confessar
O que não tem mais jeito de dissimular
E que nem é direito ninguém recusar
E que me faz mendigo, me faz suplicar
O que não tem medida, nem nunca terá
O que não tem remédio, nem nunca terá
O que não tem receita

O que será que será
Que dá dentro da gente e que não devia
Que desacata a gente, que é revelia
Que é feito uma aguardente que não sacia
Que é feito estar doente de uma folia
Que nem dez mandamentos vão conciliar
Nem todos os unguentos vão aliviar
Nem todos os quebrantos, toda alquimia
E nem todos os santos, será que será
O que não tem descanso, nem nunca terá
O que não tem cansaço, nem nunca terá
O que não tem limite

O que será que me dá
Que me queima por dentro, será que me dá
Que me perturba o sono, será que me dá
Que todos os tremores me vêm agitar
Que todos os ardores me vêm atiçar
Que todos os suores me vêm encharcar
Que todos os meus nervos estão a rogar
Que todos os meus órgãos estão a clamar
E uma aflição medonha me faz implorar
O que não tem vergonha, nem nunca terá
O que não tem governo, nem nunca terá
O que não tem juízo

Lo Que Será (A Flor de la Piel)

Qué será que me da
Que me revuelve por dentro, será que me da
Que brota a flor de la piel, será que me da
Y que me sube a las mejillas y me hace ruborizar
Y que me salta a los ojos traicionándome
Y que me aprieta el pecho y me hace confesar
Lo que ya no tiene sentido disimular
Y que ni es correcto que nadie rechace
Y que me hace mendigo, me hace suplicar
Lo que no tiene medida, ni nunca tendrá
Lo que no tiene remedio, ni nunca tendrá
Lo que no tiene receta

Qué será que será
Que da dentro de la gente y que no debería
Que desobedece a la gente, que es rebeldía
Que es como un aguardiente que no sacia
Que es como estar enfermo de una locura
Que ni diez mandamientos van a conciliar
Ni todos los ungüentos van a aliviar
Ni todos los quebrantos, toda alquimia
Y ni todos los santos, será que será
Lo que no tiene descanso, ni nunca tendrá
Lo que no tiene cansancio, ni nunca tendrá
Lo que no tiene límite

Qué será que me da
Que me quema por dentro, será que me da
Que me perturba el sueño, será que me da
Que todos los temblores me vienen a agitar
Que todos los ardores me vienen a incitar
Que todos los sudores me vienen a empapar
Que todos mis nervios están rogando
Que todos mis órganos están clamando
Y una aflicción espantosa me hace implorar
Lo que no tiene vergüenza, ni nunca tendrá
Lo que no tiene control, ni nunca tendrá
Lo que no tiene juicio

Escrita por: Chico Buarque de Holanda