395px

No Fui Yo

Ana Moura

Não Fui Eu

O Cristo inerte preso à cruz
A luz da vela que o reduz
Á sombra triste na parede entrecortada

Dos lábios solta-se indulgente
A pressa inútil do não crente
Entre palavras que por si não dizem nada

Refrão
Não fui eu
Não fui eu
Não deixei a porta aberta
Não fui eu
Não fui eu
Ficou-me a casa deserta

Ah como fugi do rumor
De passos que no corredor
Induzem na minha alma a dor da esperança vã

Sinais do tempo a humedecer
A voz que teima em enroquecer
E o corpo dorido pela noite no divã

Não fui eu
Não fui eu
Não deixei a porta aberta
Não fui eu
Não fui eu
Ficou-me a casa deserta

Como esta febre me destroí
Perdido amor quanto me doi
Desceste em mil cruel manto de tristeza

Em cada noite morre o amor
Que a solidão faz-se maior
Mal amanhece e volta o medo que anoiteça

Não fui eu
Não fui eu
Não deixei a porta aberta
Não fui eu
Não fui eu
Ficou-me a casa deserta
Não fui eu...

No Fui Yo

El Cristo inerte atrapado en la cruz
La luz de la vela que lo reduce
A la sombra triste en la pared interrumpida

De los labios se libera indulgente
La prisa inútil del no creyente
Entre palabras que por sí solas no dicen nada

Coro
No fui yo
No fui yo
No dejé la puerta abierta
No fui yo
No fui yo
La casa me quedó desierta

Ah, cómo huí del rumor
De pasos que en el pasillo
Inducen en mi alma el dolor de la esperanza vana

Señales del tiempo humedeciendo
La voz que insiste en enronquecer
Y el cuerpo adolorido por la noche en el diván

No fui yo
No fui yo
No dejé la puerta abierta
No fui yo
No fui yo
La casa me quedó desierta

Cómo esta fiebre me destruye
Perdido amor, cuánto me duele
Descendiste en mil crueles mantos de tristeza

Cada noche muere el amor
Que la soledad hace más grande
Apenas amanece y vuelve el miedo a que anochezca

No fui yo
No fui yo
No dejé la puerta abierta
No fui yo
No fui yo
La casa me quedó desierta
No fui yo...

Escrita por: Jorge Fernando