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Un Nuevo Cotidiano

André Jean

Um Novo Cotidiano

Todo dia eu chego em casa ao mesmo horário
Cansado de outro dia de trabalho
Um beijo na mulher toda desajeitada
Que trabalhou o dia inteiro e também ta cansada
Sendo no meu sofá comprado a prestação
E como sempre eu ligo a televisão
E nela me aparece um moço tão pintoso
Falando tão bonito um modo tão jeitoso
Aumentou a gasolina, o óleo, o gás e o pão
Nesse mês só vai sobrar pra nós comer feijão
Mas o moço me alivia logo em imediato
Falando que o flamengo ganhou o campeonato

Me diga o que me importa esse tal desemprego
Se eu tenho o meu emprego e minha televisão
Pra assistir minhas novelas, os jogos e o Faustão
Pra esquecer do meu almoço que só foi feijão
Pra esquecer da minha vida que não tem sentido
Eu vou mudando de canal e cada vez que eu viro
Eu vou virando um animal eu vou virando bicho
Eu vou virando um canal vivendo a minha vida
Pela programação que a TV me dita

Mas um dia eu acordo dessa hipnose
Dessa lavagem cerebral
E dessa exploração que vem desde Cabral
E vão aprimorando esse mecanismo
De ilusão e com o modernismo
Não precisa ditadura nem de violência
Pra fazer com que o povo faça reverencia

Un Nuevo Cotidiano

Cada día llego a casa a la misma hora
Cansado de otro día de trabajo
Un beso a la mujer desaliñada
Que trabajó todo el día y también está cansada
En mi sofá comprado a plazos
Y como siempre enciendo la televisión
Y aparece un chico tan guapo
Hablando tan bonito de manera tan astuta
Subió la gasolina, el aceite, el gas y el pan
Este mes solo nos quedará para comer frijoles
Pero el chico me alivia de inmediato
Diciendo que el Flamengo ganó el campeonato

Dime qué me importa ese desempleo
Si tengo mi trabajo y mi televisión
Para ver mis novelas, los juegos y a Faustão
Para olvidar mi almuerzo que solo fue frijoles
Para olvidar mi vida que no tiene sentido
Voy cambiando de canal y cada vez que cambio
Me convierto en un animal, me convierto en bicho
Voy cambiando de canal viviendo mi vida
Por la programación que la TV me impone

Pero un día despierto de esta hipnosis
De este lavado de cerebro
Y esta explotación que viene desde Cabral
Y van perfeccionando este mecanismo
De ilusión y con el modernismo
No se necesita dictadura ni violencia
Para hacer que la gente se incline

Escrita por: Andre Jean