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Simulacro

Angelo Santedicola

Simulacro

Eu trago em mim, latente, um verso mudo
Que dilacera e sangra, mas não grita
Perfura minha garganta, sobreagudo
Sem eco e que lá dentro regurgita

Carrego uma dor que, sem remédio
Atravessa-me o peito em vil tormento
Preenche minha alma em assédio
Transfigura-me em abafamento

Vem e toma conta do meu senso
Amolda o universo como eu penso
E faz a fantasia florescer

Simulacro

Traigo en mí, latente, un verso mudo
Que desgarra y sangra, pero no grita
Perfora mi garganta, sobreagudo
Sin eco y que ahí dentro regurgita

Cargo con un dolor que, sin remedio
Me atraviesa el pecho en vil tormento
Llena mi alma en asedio
Me transforma en sofocamiento

Ven y toma control de mi sentido
Moldea el universo como pienso
Y hace que la fantasía florezca

Escrita por: Angelo Santedicola / Magmah