Campestre Poncho de Luto
Vestida pela sangria
A noite de primavera
Secou remansos do tempo
Calou a última espera
Rasgou-se o ventre da lua
De ponta a ponta marcada
O pai que ia chegando
Caiu bem antes da estrada
Não mais achou seu caminho
Ponteiro que sempre atrasa
Ficaram nos olhos versos
Nenhum retorno pra casa
De certo virou senhor
Da chuva fria ao relento
E pra dizer sua presença
Se fez relâmpago e vento
Campestre poncho de luto
Do filho que o encontrou
Um raio de morte certa
Pra São Miguel o levou
Talvez num cavalo branco
O avô que não conheci
Um dia possa encontrar
Nem tão distante daqui
Campestre Poncho de Luto
Vestida por la sangre
La noche de primavera
Secó remansos del tiempo
Silenció la última espera
Se rasgó el vientre de la luna
De punta a punta marcada
El padre que iba llegando
Cayó mucho antes del camino
Ya no encontró su rumbo
El reloj que siempre se retrasa
Quedaron en los ojos versos
Ningún regreso a casa
Seguramente se convirtió en señor
De la lluvia fría al relente
Y para anunciar su presencia
Se hizo relámpago y viento
Campestre poncho de luto
Del hijo que lo encontró
Un rayo de muerte segura
Para San Miguel lo llevó
Tal vez en un caballo blanco
El abuelo que no conocí
Un día pueda encontrar
No tan lejos de aquí
Escrita por: Antonio A. Fontoura / Eduardo M. Frizzo