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Campestre Poncho de Luto

Antonio Fontoura

Campestre Poncho de Luto

Vestida pela sangria
A noite de primavera
Secou remansos do tempo
Calou a última espera

Rasgou-se o ventre da lua
De ponta a ponta marcada
O pai que ia chegando
Caiu bem antes da estrada

Não mais achou seu caminho
Ponteiro que sempre atrasa
Ficaram nos olhos versos
Nenhum retorno pra casa

De certo virou senhor
Da chuva fria ao relento
E pra dizer sua presença
Se fez relâmpago e vento

Campestre poncho de luto
Do filho que o encontrou
Um raio de morte certa
Pra São Miguel o levou

Talvez num cavalo branco
O avô que não conheci
Um dia possa encontrar
Nem tão distante daqui

Campestre Poncho de Luto

Vestida por la sangre
La noche de primavera
Secó remansos del tiempo
Silenció la última espera

Se rasgó el vientre de la luna
De punta a punta marcada
El padre que iba llegando
Cayó mucho antes del camino

Ya no encontró su rumbo
El reloj que siempre se retrasa
Quedaron en los ojos versos
Ningún regreso a casa

Seguramente se convirtió en señor
De la lluvia fría al relente
Y para anunciar su presencia
Se hizo relámpago y viento

Campestre poncho de luto
Del hijo que lo encontró
Un rayo de muerte segura
Para San Miguel lo llevó

Tal vez en un caballo blanco
El abuelo que no conocí
Un día pueda encontrar
No tan lejos de aquí

Escrita por: Antonio A. Fontoura / Eduardo M. Frizzo