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Los Dos Pies de Tamarindo de la Casa de Mis Abuelos

Antônio Jocélio

Os Dois Pés de Tamarindo da Casa Dos Meus Avós

Onde os meus avós viveram por muitos anos atrás
Os dois desapareceram nem a casa existe mais
Outro dia eu passei perto até parece um deserto
Não tem quem ouça uma voz
A não ser de um pau rangindo
Nos dois pés de tamarindo
Da casa dos meus avós

Não vi mais no seu terreiro o curral da vacaria
Nem mesmo os paus do puleiro aonde o galo dormia
Janela porta portão panela pote fogão
Vi transformados em pós
Somente estão resistindo
Os dois pés de tamarindo
Da casa dos meus avós

Superando a estiagem valorizando a semente
Serviram de hospedagem pra todo tipo de gente
Ciganos caravaneiros tangerinos e vaqueiros
Traziam rede e lençóis
Passavam noites dormindo
Nos dois pés de tamarindo
Da casa dos meus avós

Nos galhos fazendo ninhos sem precisar documentos
Se encontraram passarinhos no maior divertimento
Os insetos se ampararam as lagartixas não param
Cada qual a mais veloz
Ficam descendo e subindo
Nos dois pés de tamarindo
Da casa dos meus avós

Depois de tantos castigos vítimas das secas tiranas
Estão lá os dois amigos anos meses e semanas
Superando os grandes sustos verdes viçosos robustos
Parecendo dois heróis
Vencendo o tempo e sorrindo
Os dois pés de tamarindo
Da casa dos meus avós

Ainda estão do mesmo jeito a não ter sido o machado
Que provocou um defeito num galho que foi cortado
No tronco ainda tem raiz na casca ainda tem verniz
Sobram ramas nos cipós
Não falta flor se abrindo
Nos dois pés de tamarindo
Da casa dos meus avós

O tempo nunca deu fim o verão não os venceu
Depois da seca o cupim tentou comer mas não deu
Sua madeira maciça somente o fogo cobiça
Mas sei que o homem feroz
Vai terminar destruindo
Os dois pés de tamarindo
Da casa dos meus avós

Interroguei pra saber por qual razão vivem tanto
Ninguém quis me responder também não sai do canto
Fiquei perguntando aos dois foi quando notei depois
Grande silêncio entre nós
Terminei me despedindo
Dos dois pés de tamarindo
Da casa dos meus avós

Terminei me despedindo
Dos dois pés de tamarindo
Da casa dos meus avós

Los Dos Pies de Tamarindo de la Casa de Mis Abuelos

Donde mis abuelos vivieron hace muchos años atrás
Los dos desaparecieron y la casa ya no existe más
Otro día pasé cerca, parece un desierto
No hay quien escuche una voz
Excepto la de un palo crujiente
En los dos pies de tamarindo
De la casa de mis abuelos

Ya no vi en su patio el corral de la vaquería
Ni siquiera los palos del gallinero donde el gallo dormía
Ventana, puerta, portón, olla, pote, fogón
Vi transformados en polvo
Solo resisten
Los dos pies de tamarindo
De la casa de mis abuelos

Superando la sequía, valorizando la semilla
Sirvieron de hospedaje para todo tipo de gente
Gitanos, caravanas, tangas y vaqueros
Traían redes y sábanas
Pasaban noches durmiendo
En los dos pies de tamarindo
De la casa de mis abuelos

En las ramas haciendo nidos sin necesidad de documentos
Se encontraron pájaros en el mayor entretenimiento
Los insectos se refugiaron, las lagartijas no paran
Cada uno más veloz
Suben y bajan
En los dos pies de tamarindo
De la casa de mis abuelos

Después de tantos castigos, víctimas de las secas tiranas
Ahí están los dos amigos, años, meses y semanas
Superando los grandes sustos, verdes, lozanos, robustos
Pareciendo dos héroes
Venciendo al tiempo y sonriendo
Los dos pies de tamarindo
De la casa de mis abuelos

Siguen igual, sin haber sido el hacha
Que provocó un defecto en una rama que fue cortada
En el tronco aún hay raíces, en la corteza aún hay brillo
Sobran ramas en las lianas
No falta flor abriéndose
En los dos pies de tamarindo
De la casa de mis abuelos

El tiempo nunca los venció, el verano no los derrotó
Después de la sequía, la termita intentó comerlos pero no pudo
Su madera maciza solo es codiciada por el fuego
Pero sé que el hombre feroz
Terminará destruyendo
Los dos pies de tamarindo
De la casa de mis abuelos

Interrogué para saber por qué viven tanto
Nadie quiso responder, tampoco salieron del canto
Seguí preguntándoles a los dos, fue entonces que noté después
Un gran silencio entre nosotros
Terminé despidiéndome
De los dos pies de tamarindo
De la casa de mis abuelos

Terminé despidiéndome
De los dos pies de tamarindo
De la casa de mis abuelos

Escrita por: Zé Cardoso