Soneto Triste Para Minha Infância
De silêncios me fiz, e de agonia
Vi, crescente, meu rosto saturado
Tudo de mágoa e dor, tudo jazia
Nos meus braços de infante degredado
Culpa não tinha a voz que em mim nascia
Pedindo esses desejos – sonho ousado
Por onde o meu olhar navegaria
De cores e de anseios penetrado
Buscava uma beleza antecipada
A condição mais pura de harmonia
Nessa infância de medos tatuada
Querendo-me embeber de inacabada
Procura que, em meu ser, superaria
A minha triste infância renegada
Soneto Triste Para Mi Infancia
De silencios me hice, y de agonía
Vi, creciente, mi rostro saturado
Todo de tristeza y dolor, todo yacía
En mis brazos de infante desterrado
Culpa no tenía la voz que en mí nacía
Pidiendo esos deseos – sueño atrevido
Por donde mi mirada navegaría
De colores y anhelos penetrado
Buscaba una belleza anticipada
La condición más pura de armonía
En esta infancia de miedos tatuada
Queriendo empaparme de lo inacabado
Búsqueda que, en mi ser, superaría
Mi triste infancia renegada
Escrita por: Antonio Ronaldo, Zila da Costa Mamede