Saudades do Futuro
Daqui desta Lisboa que é tão minha
Como de ti que a amas, como eu
Mando-te um beijo, naquela andorinha
Que em março me entregou um beijo teu
Aqui neste jardim à tua espera
Como se não tivesses embarcado
Digo ao outono, que ainda é primavera
E encho de boganvílias este fado
Num tempo que de amar é tão vazio
Há coisas que não sei, mas adivinho
Um rio ali à beira doutro rio
Só um, depois da curva do caminho
Tenho tantas saudades do futuro
Dum tempo que contigo hei-de viver
Não há mar, nem fronteiras, não há muro
Que possam, meu amor, o amor deter
Nostalgia del Futuro
Desde esta Lisboa que es tan mía
Como de ti que la amas, como yo
Te mando un beso, en esa golondrina
Que en marzo me entregó un beso tuyo
Aquí en este jardín esperándote
Como si no hubieras embarcado
Le digo al otoño, que aún es primavera
Y lleno de buganvilias este fado
En un tiempo tan vacío de amar
Hay cosas que no sé, pero intuyo
Un río allí al lado de otro río
Sólo uno, después de la curva del camino
Tengo tantas nostalgias del futuro
De un tiempo que contigo viviré
No hay mar, ni fronteras, no hay muro
Que puedan, mi amor, detener el amor
Escrita por: Carlos Manuel Proença *fado serrano* / osé Correia Tavares