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Este Nego

Arlindo Cruz

Esse Nego

Eta, nego cheiroso
Tem cheiro de mato
Tem cheiro de chuva de verão

Eta, nego gostoso
Tem gosto de doce de batata-doce
Comido com a mão

Nego inteligente, não quebra a corrente
Sabe se impor, onde quer que ele vá
Nego decente
Da gente se orgulhar
Um sorriso tão branco, tão aperolado
Parece o pecado esculpido em marfim
Quero esse nego para mim
Só pra mim

Seu gingado é mistura de salsa
De samba, de samba de roda
Lá do Pelourinho
Quero esse nego pra mim
Só pra mim

Ele é meu andor, minha fé
Meu amor, meu axé, meu dendê
Ele é o Xangô de Iansã
É a luz da manhã, é o querer
E por esse nego que eu entreguei a minha vida inteira
E por esse nego, eu brigo, eu luto até capoeira
Eu quero esse nego com mel e paixão
Porque esse nego é dono do meu coração

Este Nego

Eta, negro apestoso
Huele a arbusto
Huele a lluvia de verano

Eta, negro delicioso
Sabe a caramelos de batata
Comido a mano

Niego inteligente, no rompe la cadena
Ya sabes cómo ponerse de pie dondequiera que vaya
Denegar decente
De nosotros siendo orgullosos
Una sonrisa tan blanca, tan aperolada
Parece un pecado tallado en marfil
Quiero este denim para mí
Sólo para mí

Tu meneo es una mezcla de perejil
De samba, de samba de roda
De la picota
Quiero esta negación para mí
Sólo para mí

Él es mi revolvío, mi fe
Mi amor, mi hacha, mi palma
Él es el Xangô de Iansã
Es la luz de la mañana, es el deseo
Y por eso negar que he renunciado toda mi vida
Y por eso negando, lucho, lucho hasta capoeira
Quiero esto negando con miel y pasión
Porque ese negro es dueño de mi corazón

Escrita por: Arlindo Cruz / Babi Cruz