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Si Tú Nadas

Arnaldo Antunes

Se Você Nadar

Mágoa
Põe na sua boca só palavra amarga
Aprisiona sua cabeça numa errada
Deixa o coração aflito sem razão

Mágoa
Os micróbios gostam de água parada
E quem vai te libertar dessa roubada
Só você possui a chave da prisão

Mas se você nadar até a outra margem
Vai olhar além dessa miragem
Livre do rancor
Toda sua dor
Vai na correnteza como água

Mágoa
Faz você fechar as portas da alegria
Remoendo os mesmos erros noite e dia
Sem futuro no escuro de um porão

Mágoa
Não deixa cicatrizar essa ferida
Não avança, não descansa, só castiga
Te põe à deriva só dizendo não

Mas se você nadar até a outra beira
Vai olhar além dessa cegueira
Livre do rancor
Toda sua dor vai correr agora como água

Mágoa
Crucifica mais os dias sem se dar conta
Não consegue ser legal com quem encontra
Ela entra e toma conta de você

Mágoa
Murcha as flores do jardim com uma praga
Enche a sua casa de velhos fantasmas
Deixa o lixo acumulado apodrecer

Mas se você puder nadar até o outro lado
Vai ver tudo menos embaçado
Livre do rancor
Todo seu amor
Vai jorrar agora como água

Si Tú Nadas

Resentimiento
Pon en tu boca solo palabras amargas
Encierra tu mente en un error
Deja tu corazón afligido sin razón

Resentimiento
A los microbios les gusta el agua estancada
Y ¿quién te liberará de este lío?
Solo tú tienes la llave de la prisión

Pero si tú nadas hacia la otra orilla
Verás más allá de esta ilusión
Libre del rencor
Todo tu dolor
Fluirá como agua en la corriente

Resentimiento
Te hace cerrar las puertas a la alegría
Rememorando los mismos errores noche y día
Sin futuro en la oscuridad de un sótano

Resentimiento
No deja que sane esa herida
No avanza, no descansa, solo castiga
Te deja a la deriva diciendo no más

Pero si tú nadas hacia la otra orilla
Verás más allá de esta ceguera
Libre del rencor
Todo tu dolor fluirá ahora como agua

Resentimiento
Crucifica más los días sin darse cuenta
No puede ser amable con quien se encuentra
Ella entra y se apodera de ti

Resentimiento
Marchita las flores del jardín con una plaga
Llena tu casa de viejos fantasmas
Deja que la basura acumulada se pudra

Pero si puedes nadar hacia el otro lado
Verás todo menos borroso
Libre del rencor
Todo tu amor
Brotará ahora como agua

Escrita por: Arnaldo Antunes