Sexo Na Cabeça
Lembro-me como se fosse há oito bilhões de anos
Eu era uma célula recém-chegada do fundo do miasma
Ainda deslumbrado com a vida agitada da superfície,
E você era de lá, um ser superficial, viciada em amônia, linda!
Nós dois queríamos, e não sabíamos o quê...
Namoramos um milhão de anos, sem saber o que fazer (sempre aquela ânsia)
Deve haver mais do que isso,
Amar não deve ser só roçar membranas
Você dizia:
- Eu deixo! Eu deixo!
E eu dizia: O quê?! O quê?!?
Até que um dia...
Um dia minhas enzimas tocaram as suas,
E você gemeu, meu amor,
- Assim! Assim!
E você sugou meu aminoácido, meu amor (Assim! Assim!)
E, de repente, éramos uma só célula.
Dois núcleos numa só membrana,
Até que a morte nos separasse.
Tínhamos inventado o sexo, e vimos que era bom.
E, de repente, todos à nossa volta estavam nos imitando
Nunca uma coisa pegou tanto!
Crescemos, multiplicamo-nos, e o mar borbulhava.
O desejo era fogo e lava, e o nosso amor aumentava (Aquela ânsia)
- Mais! Mais! Assim! Assim!
Você não se contentava em ser só célula
Uma zona erógena era pouco...
Queria fazer tudo, tudo. Virou ameba.
Depois peixe, depois réptil, meu amor, e eu atrás (Aquela ânsia!)
Crocodilo, elefante, borboleta, centopéia, sapo...
E, de repente, diante dos meus olhos: Mulher! (Assim! Assim!)
Deus é luxúria, Deus é ânsia.
Depois de milhões de anos, ele acertara a fórmula.
- É isso, gritei. Não mexe em mais nada!
Vimos que era complicado, nunca reparáramos na nossa nudez,
E, de repente, não se falava em outra coisa.
Você cobriu seu corpo com folhas e eu construí
Várias civilizações pra esconder o meu (Até que um dia).
Um dia chegaríamos a uma zona erógena além do sol,
Como o pólen, meu amor, no espaço.
Roçaríamos nossas membranas de fibra de vidro, capacete a capacete
Nossos tubos de oxigênio se enrascariam
Veríamos que era difícil, eu manipularia sua bateria seca,
e você gemeria como um besouro eletrônico (Assim, assim!)
Um dia estaríamos velhos, sexo só cabeça.
As abelhas andariam a pé, nada se recriaria, as frutas secariam.
Eu afundaria na memória, de volta
Às origens do mundo:
O mar
Tem um deserto
No fundo.
Sexo En la Cabeza
Recuerdo como si hubieran pasado ocho mil millones de años
Era una célula recién llegada desde lo más profundo del miasma
Aún maravillado con la vida agitada en la superficie,
Y tú eras de allá, un ser superficial, adicta a la amoníaco, ¡hermosa!
Ambos queríamos, y no sabíamos qué...
Salimos por un millón de años, sin saber qué hacer (siempre con esa ansia)
Debe haber más que esto,
Amar no debería ser solo rozar membranas
Tú decías:
- ¡Lo permito! ¡Lo permito!
Y yo decía: ¿Qué?! ¿Qué?!?
Hasta que un día...
Un día mis enzimas tocaron las tuyas,
Y gemiste, mi amor,
- ¡Así! ¡Así!
Y succionaste mi aminoácido, mi amor (¡Así! ¡Así!)
Y, de repente, éramos una sola célula.
Dos núcleos en una sola membrana,
Hasta que la muerte nos separara.
Habíamos inventado el sexo, y vimos que era bueno.
Y, de repente, todos a nuestro alrededor nos imitaban
¡Nunca algo se pegó tanto!
Crecimos, nos multiplicamos, y el mar burbujeaba.
El deseo era fuego y lava, y nuestro amor crecía (Esa ansia)
- ¡Más! ¡Más! ¡Así! ¡Así!
Tú no te conformabas con ser solo célula
Una zona erógena era poco...
Querías hacerlo todo, todo. Te convertiste en ameba.
Luego pez, luego reptil, mi amor, y yo detrás (¡Esa ansia!)
Cocodrilo, elefante, mariposa, ciempiés, sapo...
Y, de repente, ante mis ojos: ¡Mujer! (¡Así! ¡Así!)
Dios es lujuria, Dios es ansia.
Después de millones de años, había dado en la fórmula.
- ¡Es esto, grité. ¡No toques nada más!
Vimos que era complicado, nunca habíamos notado nuestra desnudez,
Y, de repente, no se hablaba de otra cosa.
Cubriste tu cuerpo con hojas y yo construí
Varias civilizaciones para ocultar el mío (Hasta que un día).
Un día llegaríamos a una zona erógena más allá del sol,
Como el polen, mi amor, en el espacio.
Rozaríamos nuestras membranas de fibra de vidrio, casco a casco
Nuestros tubos de oxígeno se enredarían
Veríamos que era difícil, yo manipularía tu batería seca,
y gemirías como un escarabajo electrónico (¡Así, así!)
Un día seríamos viejos, sexo solo en la cabeza.
Las abejas caminarían a pie, nada se recrearía, las frutas se secarían.
Me hundiría en la memoria, de vuelta
A los orígenes del mundo:
El mar
Tiene un desierto
En el fondo.