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Calor Intenso

Ary Lobo

Tempo Quente

Ta chegando o tempo quente
Toda a roça vai secar
Vem os dias da colheita
Nego tem que trabalhar

Na colheita que passou
O nego não agüentou
Não pediu pra seu senhor
E sentou pra descansar
Senhor branco não gostou
Mandou negro pro feitor
E no tronco ele amarrou
E mandou a chibatar

Sou eu, preto velho acabado
Com o pé todo rachado
De pisar neste chão
Já passei quatro luas
Na senzala amarrado
Muito foi castigado

Não sirvo mais pro leilão
Não, nunca fui um negro malcriado
Tenho sempre que trabalhar calado
Nunca fiz maldade a ninguém

Ta chegando o tempo quente
É o medo que o negro tem

Calor Intenso

Se acerca el calor intenso
Toda la cosecha se secará
Llegan los días de la recolección
Negro tiene que trabajar

En la última cosecha
El negro no aguantó
No pidió permiso a su señor
Y se sentó a descansar
El señor blanco no lo toleró
Envío al negro al capataz
Y lo ató al tronco
Y ordenó azotarlo

Soy yo, viejo negro acabado
Con los pies agrietados
De tanto pisar este suelo
He pasado cuatro lunas
Atado en la senzala
Mucho he sido castigado

Ya no sirvo para la subasta
No, nunca fui un negro malcriado
Siempre tengo que trabajar en silencio
Nunca hice daño a nadie

Se acerca el calor intenso
Es el miedo que el negro tiene

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