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Morro Doce

Aryani Marciano

Morro Doce

Para você chegar na minha terra
Você tem que crur direto a Rodovia Anhanguera
E quando você ver a favela da dezesseis, o Sol Nascente
Km vinte e cinco até vinte e dois
Quando você cruzar o Trópico de Capricórnio
Eu moro ali no meio
Num lugar chamado
Morro Doce

Morro Doce
Iê iê iê ie
Morro Doce
Morro Doce
Iê iê iê ie
Morro Doce

Ali nunca tem enchente
Mas várias ladeiras
Igreja pro crentes
Bar pros fuleira
Macumba, terreiro
Tem até cachoeira
Represa pra gente
É só pular cerca
O Baita

Eram colinas de cana-de-açúcar
Veio aos montes
Quando os Sem-terra loteou
Fez muvuca
Mas ali é o longe
O doce é ter sua casa própria
Para chegar leva duas horas
E o centro só se segura
O morro é doido a rapa é dura

Qualidade de vida é baixa
Mas tem cultura
A menor necessidade básica
É tratada como frescura
Porque ali não chega
É várias tretas
Somente empurra, empurra
Mas defendo e acredito
O povo é base, é estrutura

Morro doce, iê iê iê iê
Morro Doce
Morro Doce
Iê iê iê ie
Morro Doce

Os pixador é bom
Quando a polícia é fraca
O que mata é o escadão
Mas as perna num falha
Descida a um milhão
Se o breque não te salva
O fogo ali é de palha
E o chicote estrala

Norte e nordeste compõe
Essa minha quebrada
Fica na beira da estrada
E tem um fundo que é mata
São Paulo já é grande
Esse bairro ainda alarga
O povo acorda 5h30
Trem é perus ou vai pra
Lapa

Morro doce, iê iê iê iê
Morro Doce
Morro Doce
Iê iê iê ie
Morro Doce

Mas se ali é tranquilo
É porque a polícia embaça
Não pode ter festa grande
Não pode fumar na praça
PM bate nos mano
Grava vídeo, humilha os parça
Mas minha voz vocês num cala
Minha voz você num cala

Morro doce, iê iê iê iê
Morro Doce
Morro Doce
Iê iê iê ie
Morro Doce

Se em palmares tinha Zumbi
Aqui a nossa Dandara se chama Maria
DeLourdes, Madalena, das Graças e Alzira

Mas quem é filho da lavoura, da cachaça e do açúcar
Faz do suor ouro e rapadura
Somos pés de lama, pés de barro, de poeira e de asfalto
E agora nem preciso mais esconder o sapato
O morro é doido e ta cheio de louco
Querendo saúde, moradia, cultura e educação
E enquanto puder vamos continuar subindo
E vivendo a favela ostentação
Os nomes dos bairros a gente deixa pra depois
Aqui a resistência é por loteamento
Dezesseis, dezessete, quarta área, quinta área, vinte e cinco e vinte e dois

Morro Doce

Para llegar a mi tierra
Tienes que tomar directo la Autopista Anhanguera
Y cuando veas la favela de dieciséis, el Sol Naciente
Kilómetro veinticinco hasta veintidós
Cuando cruces el Trópico de Capricornio
Yo vivo justo en el medio
En un lugar llamado
Morro Doce

Morro Doce
Iê iê iê ie
Morro Doce
Morro Doce
Iê iê iê ie
Morro Doce

Allí nunca hay inundaciones
Pero muchas cuestas
Iglesia para los creyentes
Bar para los borrachos
Macumba, terreiro
Incluso tiene una cascada
Embalse para la gente
Solo hay que saltar la cerca
El Baita

Eran colinas de caña de azúcar
Vinieron en montones
Cuando los Sin Tierra parcelaron
Se armó un revuelo
Pero allí es lejos
Lo dulce es tener tu propia casa
Llevar dos horas para llegar
Y el centro solo se sostiene
El morro es loco, la raza es dura

La calidad de vida es baja
Pero hay cultura
La menor necesidad básica
Es tratada como capricho
Porque allí no llega
Hay muchos problemas
Solo empuja, empuja
Pero defiendo y creo
El pueblo es la base, es la estructura

Morro doce, iê iê iê iê
Morro Doce
Morro Doce
Iê iê iê ie
Morro Doce

Los grafiteros son buenos
Cuando la policía es débil
Lo que mata es la escalera
Pero las piernas no fallan
Bajada a un millón
Si el freno no te salva
El fuego allí es de paja
Y el látigo estalla

Norte y nordeste componen
Esta mi barriada
Queda al borde de la carretera
Y tiene un fondo que es selva
São Paulo ya es grande
Este barrio aún se expande
La gente se levanta a las 5:30
Toma el tren a Perus o va a
Lapa

Morro doce, iê iê iê iê
Morro Doce
Morro Doce
Iê iê iê ie
Morro Doce

Pero si allí es tranquilo
Es porque la policía complica
No puede haber fiestas grandes
No se puede fumar en la plaza
La policía golpea a los chicos
Graba videos, humilla a los amigos
Pero mi voz no callarán
Mi voz no callarán

Morro doce, iê iê iê iê
Morro Doce
Morro Doce
Iê iê iê ie
Morro Doce

Si en Palmares había Zumbi
Aquí nuestra Dandara se llama María
DeLourdes, Madalena, de las Gracias y Alzira

Pero quien es hijo de la plantación, del aguardiente y del azúcar
Convierte el sudor en oro y rapadura
Somos pies de barro, pies de barro, de polvo y de asfalto
Y ahora ni siquiera necesito esconder los zapatos
El morro está loco y está lleno de locos
Queriendo salud, vivienda, cultura y educación
Y mientras podamos, seguiremos subiendo
Y viviendo la favela ostentación
Los nombres de los barrios los dejamos para después
Aquí la resistencia es por urbanización
Dieciséis, diecisiete, cuarta área, quinta área, veinticinco y veintidós

Escrita por: Aryani Marciano / Mc Robys