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Hiroshima

Augusto Teixeira

Hiroshima

Onde é que foi parar
Aquele amor que era eterno
Num dos porões do inferno
Ou em garrafas ao mar?
(Foi em Hokkaido no inverno?)

Onde é que eu fui largar?
Na Disneylândia de Tóquio
Sob o nariz do Pinóquio?
No Monte Fuji estará?
(Tendo com Buda um colóquio?)

Ou só foi relaxar
Por entre as coxas da gueixa
Por entre os poxas da queixa
Dormindo em casas de chá?
(Ou de trem-bala me deixa?)

O amor eterno morre
Não tem choro nem vela
Em Alphaville ou favela
Como o saquê vira porre
(Pra samurai ou donzela)

Ceará, Japão
No Rio, em Sampa, na China
No orgasmo de quem ensina
A bomba a estuprar o chão
(Todo eterno termina)

Hiroshima

¿Dónde fue a parar
Ese amor que era eterno
En uno de los sótanos del infierno
¿O en botellas al mar?
(¿Fue en Hokkaido en invierno?)

¿Dónde fui a dejar?
¿En Disneylandia de Tokio
Bajo la nariz de Pinocho?
¿Estará en el Monte Fuji?
(¿Teniendo una charla con Buda?)

O simplemente fue a relajarse
Entre las piernas de la geisha
Entre los lamentos de la queja
¿Durmiendo en casas de té?
(¿O me deja el tren bala?)

El amor eterno muere
No hay llanto ni vela
En Alphaville o en la favela
Como el sake se convierte en borrachera
(Para samurái o doncella)

Ceará, Japón
En Río, en Sampa, en China
En el orgasmo de quien enseña
A la bomba a violar el suelo
(Todo eterno termina)

Escrita por: Clarisse Grova / Leo Nogueira