395px

Convulsiones de un único grito (Parte II) Crepúsculo: 1976

Ávora Di Carlla

Convulsões De Um Único Grito (Parte II) Crepúsculo: 1976

Saia da minha consciência e vá para o seu presbitério
Lá estará certificado da sua importância imprescindível
Entre tantas impossibilidades concretas
Que atacam e se manifestam em meu fim
Como agora, em algum lugar deste quarto
Haverá de existir vida além da escuridão

A escuridão do silêncio absoluto dos mortos
A escuridão das sombras emitidas pelas rosas negras
Copuladas sobre as cartilagens biodegradáveis
Dos microelementos da Terra

Nada pode curar o que destruímos e amaldiçoamos com as próprias mãos
Assim como era no princípio
Sacrifica-me ausente inconformada pelo abandono endurecedor
Do seu cinéreo tabernáculo
Roubando as minhas forças que ainda vegetam úmidas e trêmulas
Em materiais, veias impacientadas
Como num paranoico e suave deleite obscuro
Obrigando-me a chorar
Feito um homem abatido pela despedida
Nos momentos em que mais necessito de mim mesmo

Dentro da minha cabeça mora uma cigarra pagã
Que não para de recitar ordens estranhas
Sombra rastejante que foge do despertar vespertino
De mais um novo dia
Somos uma espécie de nada
Pretensiosamente derrotados
Fonte ininterrupta de agonia e calafrios nebulosos
Que ocultam a nossa triste face excomungada

Carne da minha carne
Exalava da pele a fragrância mórbida dos lírios ameaçadores
O cheiro não era de enxofre
Era um perfume agradável
Não tão doce
Mas hipnótico, grave

Em minha direção
Trazia em um embornal
A cabeça de um vampiro
E os braços de uma criatura de bom coração
Não toque os meus pulsos arranhados pela muralha de ferro
Que habita a lâmina secreta da minha singularidade clandestina!
Regularmente se sobrecarrega na dor dos lázaros
Com intranquilidade desesperadora das gerações ameaçadas
Pelas noites que passamos desprotegidos

Eu não sou eu
Sou o sangue estancado em seu ventre perturbador
A vaga sensação do que há de existir
Entre tantas e irrecuperáveis lembranças
Atemorizadas em sua mais profunda e infecundada memória
Sombra que vem e parte para dentro de mim
O que nos resta, senão outro
Que vaga solitário pelas entranhas cadentes
De nossa escrofulosa imperfeição?

Ainda temos uma chance de encontra-lo
Entre os logradouros e subterrâneos fugitivos
De mais um nascer apaixonado da vida
Já nasci por algumas poucas dezenas de vezes
Mas hoje, pela primeira vez eu morro
23 de Novembro de 1976
Sombra, descanse em paz! ”

Convulsiones de un único grito (Parte II) Crepúsculo: 1976

Sal de mi conciencia y ve a tu presbiterio
Allí estará certificado tu importancia imprescindible
Entre tantas imposibilidades concretas
Que atacan y se manifiestan en mi final
Como ahora, en algún lugar de esta habitación
Debe existir vida más allá de la oscuridad

La oscuridad del silencio absoluto de los muertos
La oscuridad de las sombras emitidas por las rosas negras
Copuladas sobre las cartílagos biodegradables
De los microelementos de la Tierra

Nada puede curar lo que hemos destruido y maldecido con nuestras propias manos
Así como era en el principio
Sacrifícame ausente, inconforme por el abandono endurecedor
De tu ceniciento tabernáculo
Robando mis fuerzas que aún vegetan húmedas y temblorosas
En materiales, venas impacientes
Como en un paranoico y suave deleite oscuro
Obligándome a llorar
Como un hombre abatido por la despedida
En los momentos en que más necesito de mí mismo

Dentro de mi cabeza habita una cigarra pagana
Que no para de recitar órdenes extrañas
Sombra reptante que huye del despertar vespertino
De un nuevo día más
Somos una especie de nada
Pretenciosamente derrotados
Fuente ininterrumpida de agonía y escalofríos nebulosos
Que ocultan nuestra triste cara excomulgada

Carne de mi carne
Exhalaba de la piel la fragancia mórbida de los lirios amenazantes
El olor no era a azufre
Era un perfume agradable
No tan dulce
Pero hipnótico, grave

En mi dirección
Traía en un talego
La cabeza de un vampiro
Y los brazos de una criatura de buen corazón
¡No toques mis pulsos arañados por la muralla de hierro
Que habita en la hoja secreta de mi singularidad clandestina!
Regularmente se sobrecarga en el dolor de los lázaros
Con intranquilidad desesperante de las generaciones amenazadas
Por las noches que pasamos desprotegidos

No soy yo
Soy la sangre estancada en tu vientre perturbador
La vaga sensación de lo que debe existir
Entre tantas e irrecuperables memorias
Atemorizadas en tu más profunda e infecunda memoria
Sombra que viene y parte hacia dentro de mí
¿Qué nos queda, sino otro
Que vaga solitario por las entrañas cadentes
De nuestra escrofulosa imperfección?

Todavía tenemos una oportunidad de encontrarlo
Entre los callejones y subterráneos fugitivos
De otro nacer apasionado de la vida
He nacido unas pocas decenas de veces
Pero hoy, por primera vez, muero
23 de noviembre de 1976
¡Sombra, descansa en paz!

Escrita por: Gustavo Caverzan