Pesadelo Nº 22a
Eu vou deixar o meu cabelo bater no calcanhar
E vou montado a cavalo pra Brasília
Vou jogar golfe no Planalto com meu Presidente
Serei retrato na capa da tua revista
E eu parecendo uma montanha de cabelos ambulante
Serei a moda na mais alta estação
Não adianta fugir
Nem tentar cortar seus cabelos
Porque eu te vejo...
Por aí neste verão
Vou sair nu de casa as quatro com minha bunda pintada
De Hipoglós, cor de rosa e sabão
Vou dar bom dia pras velhinhas nas calçadas
E bolinhas coloridas da minha bunda sairão
E eu parecendo uma surrealista tela de Dali
Serei a moda na mais alta estação
Não adianta fugir
Nem tentar quebrar os espelhos
Porque eu te vejo...
Por aí neste verão
Eu vou comprar uma ambulância com uma enfermeira carinhosa
Pra glicose na minha veia ela aplicar
Um motorista responsável com os documentos pagos
Ordenado a me levar de bar em bar
E eu parecendo uma pomba-gira dando goles de cachaça
Serei a moda na mais alta estação
Não adianta fugir
Nem tentar fazer parar o esqueleto
Porque eu te vejo...
Por aí neste verão
Eu vou comprar um macaquinho amestrado
Enrolá-lo em meu pescoço e mandá-lo fingir de morto
Vou passear pelos salões do Country Club
E pelas mesas irei dando a graça do meu arroto
E eu parecendo um ressurrecto das cavernas de outrora
Serei a moda na mais alta estação
Não adianta fugir
Nem tentar ficar com o rosto vermelho
Porque eu te vejo...
Por aí neste verão
Vou encarnar o Papa-Figo logo após sua conversão
Ao cristianismo da Igreja Universal
Trajando o hábito de Cícero e o cocá do Patachó
Eu vou falar sobre o bem, o médio e o mal
E eu parecendo um índio pajé do Vale do Pajeú
Serei a moda na mais alta estação
Não adianta fugir
Nem tentar botar de lado os meus conselhos
Porque eu te vejo...
Por aí neste verão
Pesadilla Nº 22a
Voy a dejar que mi cabello golpee en el talón
Y cabalgaré hacia Brasilia
Jugaré golf en el Palacio con mi Presidente
Seré retrato en la portada de tu revista
Y luciendo como una montaña de cabello ambulante
Seré la moda en la estación más alta
No sirve de nada huir
Ni intentar cortarte el cabello
Porque te veo...
Por ahí en este verano
Saldré desnudo de casa a las cuatro con mi trasero pintado
De Hipoglós, color rosa y jabón
Le diré buenos días a las ancianas en las aceras
Y bolitas de colores saldrán de mi trasero
Y luciendo como un cuadro surrealista de Dalí
Seré la moda en la estación más alta
No sirve de nada huir
Ni intentar romper los espejos
Porque te veo...
Por ahí en este verano
Compraré una ambulancia con una enfermera cariñosa
Para que me aplique glucosa en la vena
Un conductor responsable con los documentos pagados
Ordenado a llevarme de bar en bar
Y luciendo como una pomba-gira tomando tragos de cachaça
Seré la moda en la estación más alta
No sirve de nada huir
Ni intentar detener el esqueleto
Porque te veo...
Por ahí en este verano
Compraré un monito amaestrado
Lo enrollaré en mi cuello y lo haré fingir muerte
Pasearé por los salones del Country Club
Y en las mesas mostraré la gracia de mi eructo
Y luciendo como un resucitado de las cavernas de antaño
Seré la moda en la estación más alta
No sirve de nada huir
Ni intentar ponerse rojo el rostro
Porque te veo...
Por ahí en este verano
Encarnaré al Papa-Figo justo después de su conversión
Al cristianismo de la Iglesia Universal
Vistiendo el hábito de Cícero y el cocá del Patachó
Hablaré sobre el bien, el medio y el mal
Y luciendo como un indio pajé del Valle del Pajeú
Seré la moda en la estación más alta
No sirve de nada huir
Ni intentar ignorar mis consejos
Porque te veo...
Por ahí en este verano