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Poema Doméstico

Banda Trinidad

Poema Doméstico

Da minha parede caem cacos da pintura
Do meu carro calotas soltam-se nas curvas
Da minha língua palavras de barro saem prontas
Da descarga não aproveito nada

Dos meus ombros não se recolhem favos
Do meu tronco não saem sustentáculos
No chuveiro um choque te chateia
Mas você não pense que eu não vejo

Você não pense que eu não vejo
Não pense que eu não vejo
Você não pense que eu não vejo
Não pense que eu não vejo

Eu bato as cinzas pra recuperar o fogo
Eu te recolho pra te estender de novo
Eu te alcanço e perco as minhas contas
Reconquistar as partes
Recuperar as partes
Realinhar

Você não pense que eu não vejo
Não pense que eu não vejo

Eu me protejo pra me render ao gozo
Eu te obedeço pra te levar de novo
Eu te perdoo porque tudo dói um pouco
Reconquistar as partes
Recuperar as partes
Realinhar

Você não pense que eu não vejo
Não pense que eu não vejo
Realinhar, realinhar

Poema Doméstico

De mi pared caen trozos de pintura
De mi auto se desprenden tapacubos en las curvas
De mi lengua salen palabras de barro listas
Del inodoro no aprovecho nada

De mis hombros no se recogen favores
De mi tronco no salen soportes
En la ducha un choque te molesta
Pero no pienses que no veo

No pienses que no veo
No pienses que no veo
No pienses que no veo
No pienses que no veo

Yo golpeo las cenizas para recuperar el fuego
Te recojo para extenderte de nuevo
Te alcanzo y pierdo la cuenta
Reconquistar las partes
Recuperar las partes
Realinear

No pienses que no veo
No pienses que no veo

Yo me protejo para entregarme al placer
Te obedezco para llevarte de nuevo
Te perdono porque todo duele un poco
Reconquistar las partes
Recuperar las partes
Realinear

No pienses que no veo
No pienses que no veo
Realinear, realinear

Escrita por: Marcelo Tadeu / Marco Aur / Renato Boechat