395px

Pai João

Belmonte e Amaraí

Pai João

Caminheiro, que passar naquela estrada,
Vê uma cruz abandonada como quem vai pro sertão,
Há muitos anos neste chão foi sepultado
Um preto velho e herado por nome de pai joão.

Pai joão, na fazenda dos coqueiros
Foi destemido carreiro, querido do seu patrão,
Sua boiada, o chibante e o brioso
Nos morros mais perigoso arrastava o carretão.

Numa tarde pai joão não esperava
Que a morte lhe rondava lá na curva do areião,
E numa queda embaixo do carro caiu
Do mundo se despediu, preto véio pai joão.

Caminheiro, aquela cruz do caminho,
Já contei tudo certinho a história de pai joão,
Resta a saudade daquele tempo que foi,
Do velho carro de boi no fundo do mangueirão.

Pai João

Viajero, que pasas por ese camino,
Ves una cruz abandonada como quien va hacia el campo,
Hace muchos años en esta tierra fue enterrado
Un anciano negro y respetado llamado pai joão.

Pai joão, en la hacienda de los cocoteros
Fue un valiente carretero, querido por su patrón,
Su ganado, el látigo y el brioso
En las colinas más peligrosas arrastraba el carretón.

Una tarde pai joão no esperaba
Que la muerte lo acechaba en la curva del arenal,
Y en una caída debajo del carro cayó
Del mundo se despidió, viejo negro pai joão.

Viajero, esa cruz en el camino,
Ya conté todo correctamente la historia de pai joão,
Queda la añoranza de aquel tiempo que fue,
Del viejo carro de bueyes en el fondo del corral.

Escrita por: