395px

Lusíada

Berilo Santos

Lusíada

Eu, lusíada que sou
Colonizado iludido
Ei! Traz aqui pra mim meu gin!
Passo o dia inteiro assim
Só olho o meu umbigo

Eu, lusíada que sou
Com a migalha que restou
Sigo sem ter entendido
Lembro do tio Joaquim
Nem mudou, nem tanto assim
É o que vem desde o imperium

Pois a mente que devia ser
Como flauta, Inexaurível
Ao inflar do ego, virou motor
Tão latente, tão previsível

Mas não é de agora
Que entreguei a ti o meu tamborim
Abri mão das minhas raízes
Não vi foz, queimei raízes
E troquei por um metro de cetim

Eu, lusíada que sou
Depressivo, extrovertido
Não há quem passe frio nem calor
Não sabe nem quem lhe falou
Não há nada garantido

Pois a mente que devia ser
Como flauta, Inexaurível
Ao inflar do ego, virou motor
Tão latente, tão previsível

Mas não é de agora
Que entreguei a ti o meu tamborim
Não vi foz, queimei raízes
E troquei por um metro de cetim

Eu, lusíada que fui
Não vi pedras no caminho
Rejeitei o meu destino
E ao meu sangue latino

Lusíada

Yo, lusíada que soy
Colonizado ilusionado
¡Eh! ¡Trae aquí mi ginebra!
Paso el día entero así
Solo miro mi ombligo

Yo, lusíada que soy
Con la migaja que quedó
Sigo sin haber entendido
Recuerdo al tío Joaquín
No cambió, no tanto así
Es lo que viene desde el imperio

Pues la mente que debía ser
Como flauta, inagotable
Al inflar el ego, se convirtió en motor
Tan latente, tan previsible

Pero no es de ahora
Que te entregué mi tamboril
Renuncié a mis raíces
No vi desembocadura, quemé raíces
Y cambié por un metro de satén

Yo, lusíada que soy
Depresivo, extrovertido
No hay quien pase frío ni calor
No sabe ni quién le habló
Nada está garantizado

Pues la mente que debía ser
Como flauta, inagotable
Al inflar el ego, se convirtió en motor
Tan latente, tan previsible

Pero no es de ahora
Que te entregué mi tamboril
No vi desembocadura, quemé raíces
Y cambié por un metro de satén

Yo, lusíada que fui
No vi piedras en el camino
Rechacé mi destino
Y a mi sangre latina

Escrita por: Berilo Santos