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Ciranda de los viernes

Beto Brito

Ciranda Mei-de-feira

Quero saber de vocês onde foi que eu nasci
Eu sou um pé de poeira me criei e aprendi
Cantiga de lavadeira meia vida já vivi
Nesse lugar eu fui criado ganhando pouco dinheiro
Vendi boneco de barro, lamparina e candeeiro
Isqueiro e papel de cigarro
Depois virei romanceiro

Onde é esse lugar... no mei da feira [2x]

Tem chuveirada de mangueira, pra tirar incrisiado
O cabra que tava mofino fica de novo empinado
As moça num bate o pino tá feito o repinicado
Caldo de cana na hora, pão doce, pastel de vento
Tripa sequinha com frita, pauzinho de cata-vento
Língua-de-sogra e apito, garrafada e condimento

Onde é esse lugar... no mei da feira [2x]

Traíra feita no côco, carne seca com farinha
Tem goiabada, cascão, ensopado e dobradinha
Churrasquim de coração, baião-de-dois com sardinha
Caderneta de pindura, resto de fruta pisada
Tampa de radiador, saco de lona dobrada
Suvaqueira no calor, lambida, cão e dedada

Onde é esse lugar... no mei da feira [2x]

Fazer a feira é um vício, é como rezar todo dia
É festa em pé-de-balcão, é tempo de cantoria
É conta em papel de pão, é uma grande alegria
Quem nunca viu uma feira perdeu metade da vida
Aquele cheiro de cravo,de carne boa cozida
De couro,de limão bravo, de fruta doce caída

Onde é esse lugar... no mei da feira [2x]

A cobra do bonequeiro, ova de curimatã
Imbira, bule, coentro, papel azul de maçã
Ferrolho de fora e de dentro pingado com arribaçã
Sem feira morre o nordeste dela é que vem alegria
Pra sustentar o batente que a teia do tempo
Num tem frouxo, nem valente que num ouça romaria
E venha de onde vier com toda sinceridade
Algum trocado no bolso, gastar inté a metade
Feijão arroz e sal grosso mais que isso é vaidade
E viva a cultura da feira e o que de bom ela trás
Salve todos rabequeiros, violeiros o outros mais
Foram os grandes herdeiros do cordel dos ancestrais

Onde é esse lugar... no mei da feira [2x]
Onde é esse lugar... no mei da feira [2x]

Ciranda de los viernes

Quiero saber de ustedes dónde fue que nací
Soy un pie de polvo, crecí y aprendí
Canción de lavandera, media vida ya viví
En este lugar fui criado ganando poco dinero
Vendí muñecos de barro, lámparas y candiles
Encendedor y papel de cigarro
Después me convertí en trovador

¿Dónde está este lugar... en medio de la feria [2x]

Hay ducha de manguera, para quitar el sudor
El hombre que estaba abatido vuelve a erguirse
Las chicas no paran, están como repicando
Jugo de caña al instante, pan dulce, empanada de viento
Tripa seca con fritura, palito de molinillo
Lengua de suegra y silbato, jarabe y condimento

¿Dónde está este lugar... en medio de la feria [2x]

Traíra hecha en coco, carne seca con harina
Hay guayabada, cáscara, estofado y mondongo
Churrasquito de corazón, arroz con sardinas
Cuenta de fiado, restos de fruta pisoteada
Tapa de radiador, bolsa de lona doblada
Sudor en el calor, lamida, perro y dedada

¿Dónde está este lugar... en medio de la feria [2x]

Hacer la feria es un vicio, es como rezar todos los días
Es fiesta en el mostrador, es tiempo de cantar
Es cuenta en papel de pan, es una gran alegría
Quien nunca ha visto una feria ha perdido la mitad de la vida
Ese olor a clavo, a carne buena cocida
De cuero, de limón agrio, de fruta dulce caída

¿Dónde está este lugar... en medio de la feria [2x]

La serpiente del titiritero, huevos de curimatá
Imbira, bule, cilantro, papel azul de manzana
Cerrojo de afuera y de adentro, mojado con arribaçã
Sin feria muere el noreste, de ella viene la alegría
Para sostener el trabajo que la red del tiempo
No tiene flojo, ni valiente que no escuche romería
Y venga de donde venga con toda sinceridad
Algo de dinero en el bolsillo, gastar hasta la mitad
Frijoles, arroz y sal gruesa, más que eso es vanidad
¡Viva la cultura de la feria y lo bueno que trae!
Salud a todos los violinistas, guitarristas y demás
Fueron los grandes herederos del cordel de los ancestros

¿Dónde está este lugar... en medio de la feria [2x]
¿Dónde está este lugar... en medio de la feria [2x]

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