395px

Encuentro de Poetas

Biá e Dino Franco

Encontro de Poetas

Madrugada
O ruído das máquinas possantes bem mais quietas
E a cidade menos nervosa, sem muita agitação
Fui ouvir a simplicidade de dois poetas
Que vieram falar de coisas simples lá do meu sertão
Nessa hora tudo parou, o silêncio foi profundo
E pelo meio desta floresta de cimento armado
Ouvia-se a viola que me calava fundo
Falei de saudade do meu sertão amado

Não há, não há lugar igual aqui
A Lua faz morada no sertão em que nasci

Um poeta falou do meu passado
E também de minha infância
E meu ranchinho, minha antiga moradia
Falou da natureza
E de uma porteira velha, onde num mourão
João pacífico deixou sua poesia

Lá no mourão esquerdo da porteira
Onde encontrei você pra despedir
Tem uma lembrança minha derradeira
É um versinho que eu nele escrevi

E continuou falando de amor
Quem amava com firmeza
Falou de chico mulato, o maior dos cantador
Falou de sua amada
Aquela, aquela cabocla teresa
Que todo sertão conhece
Por sua história de amor

A tempo eu fiz um ranchinho
Pra minha cabocla morar
Pois era ali o nosso ninho
Bem longe desse lugar

E falou com emoção
Pois falou com tanta mágoa
Daquela sua promessa
Daquela seca tremenda
Meus olhos não resistindo
Caiu mais um pingo d'água
Lembrei de minha boiada
Lembrei da minha fazenda

Eu fiz promessa
Pra que Deus mandasse chuva
Pra crescer a minha roça
E vingar a criação
Pois veio a seca
E matou meu cafezal
Matou todo o meu arroz
Sapecou todo algodão

E a madrugada se foi
Se foi o som da viola
Voltei pro meu gabinete
Pra outro dia enfrentar
Mas Deus que é sertanejo
A minha mágoa consola
Com meu pedaço de sertão
Eu vivo sempre a sonhar

Eu vou dizer com toda sinceridade
O que ainda mora no meu coração
Estou vivendo na grandeza da cidade
Mas não esqueço meu pedaço de sertão

Encuentro de Poetas

Madrugada
El ruido de las máquinas potentes mucho más silenciosas
Y la ciudad menos nerviosa, sin mucha agitación
Fui a escuchar la sencillez de dos poetas
Que vinieron a hablar de cosas simples de mi tierra
En ese momento todo se detuvo, el silencio fue profundo
Y en medio de este bosque de concreto armado
Se escuchaba la guitarra que me conmovía profundamente
Hablé de la añoranza por mi amada tierra

No hay, no hay lugar igual aquí
La Luna habita en la tierra donde nací

Un poeta habló de mi pasado
Y también de mi infancia
Y de mi ranchito, mi antigua morada
Habló de la naturaleza
Y de una vieja tranquera, donde en un poste
João pacífico dejó su poesía

En el poste izquierdo de la tranquera
Donde te encontré para despedirme
Hay un recuerdo mío final
Es un versito que en él escribí

Y siguió hablando de amor
Quien amaba con firmeza
Habló de Chico Mulato, el mejor de los cantores
Habló de su amada
Aquella, aquella cabocla Teresa
Que todo el sertón conoce
Por su historia de amor

A tiempo hice un ranchito
Para que mi cabocla viviera
Pues allí estaba nuestro nido
Lejos de este lugar

Y habló con emoción
Pues habló con tanta pena
De aquella promesa suya
De aquella sequía tremenda
Mis ojos no resistieron
Cayó otra gota de agua
Recordé mi ganado
Recordé mi finca

Hice una promesa
Para que Dios mandara lluvia
Para que creciera mi cosecha
Y prosperara la cría
Pero vino la sequía
Y mató mi cafetal
Mató todo mi arroz
Arruinó todo el algodón

Y la madrugada se fue
Se fue el sonido de la guitarra
Regresé a mi despacho
Para enfrentar otro día
Pero Dios, que es campesino
Consuela mi pena
Con mi pedazo de tierra
Siempre vivo soñando

Voy a decir con toda sinceridad
Lo que aún vive en mi corazón
Estoy viviendo en la grandeza de la ciudad
Pero no olvido mi pedazo de tierra

Escrita por: