395px

Rayos del horizonte

Binho Rodrigues

Raios do horizonte

Os raios do sol
Me mostram um horizonte
Que sempre se esconde
Na escuridão de um mundo
Que nem parece mundo

Pois eu olho
Para os nossos homens lutando
Sem as vezes nem saberem o porquê
E me pergunto
Se é isso que queremos ser

Assassinos de nós mesmos

Eu me lembro
Das mentiras que eu contei
E me pergunto
Se eu também serei
Tudo que eu sempre odiei

Se minhas mãos se mancharão
Com o sangue, de algum coração
Se o meu ódio
Guiará a minha razão

O frio da minha alma
Me protege deste inferno
Pois os meus olhos
Não me mostram o que eu quero

E é só a minha alma
Que me faz perceber
O quanto estamos longe de aprender
Os dias que perdemos por perder
Não voltarão, para se viver

Dê-me forças para aceitar
O que eu não posso mudar
Dê-me forças para entender
O porquê

Me faça ver
O que eu não posso enxergar
Me faça crer
No que eu não posso acreditar

Os pingos da chuva
Fazem trilhos na janela
E enquanto eu durmo
Nas sombras do mundo
A guerra não espera

Os gritos se misturam
Com os trovões
Da tempestade que nos enterra
E o destino me traz visões eternas
Dessa guerra

Mas eu me sinto melhor
Pensando no depois
Pois hoje meus sonhos
Parecem ter morrido

E tudo que eu tenho sido
Já foi escrito
Pelas mesmas mãos
Que criaram nossos gritos

Gerações se transformam em cinzas
E a terra permanece a mesma
Com a mesma certeza
De que amanhã será diferente

Mas o futuro já é presente
E nossas preces
Estão dormentes
Pra sempre

Rayos del horizonte

Los rayos del sol
Me muestran un horizonte
Que siempre se esconde
En la oscuridad de un mundo
Que ni siquiera parece mundo

Porque miro
A nuestros hombres luchando
A veces sin saber por qué
Y me pregunto
Si eso es lo que queremos ser

Asesinos de nosotros mismos

Recuerdo
Las mentiras que conté
Y me pregunto
Si también seré
Todo lo que siempre odié

Si mis manos se mancharán
Con la sangre de algún corazón
Si mi odio
Guiará mi razón

El frío de mi alma
Me protege de este infierno
Porque mis ojos
No me muestran lo que quiero

Y solo mi alma
Me hace darme cuenta
De lo lejos que estamos de aprender
Los días que perdimos al perder
No volverán para vivir

Dame fuerzas para aceptar
Lo que no puedo cambiar
Dame fuerzas para entender
Por qué

Hazme ver
Lo que no puedo ver
Hazme creer
En lo que no puedo creer

Las gotas de lluvia
Dejan rastros en la ventana
Y mientras duermo
En las sombras del mundo
La guerra no espera

Los gritos se mezclan
Con los truenos
De la tormenta que nos entierra
Y el destino me trae visiones eternas
De esta guerra

Pero me siento mejor
Pensando en el después
Porque hoy mis sueños
Parecen haber muerto

Y todo lo que he sido
Ya está escrito
Por las mismas manos
Que crearon nuestros gritos

Generaciones se convierten en cenizas
Y la tierra permanece igual
Con la misma certeza
De que mañana será diferente

Pero el futuro ya es presente
Y nuestras plegarias
Están dormidas
Para siempre

Escrita por: Binho Rodrigues