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Catarino Boiadeiro

Brasão e Brasãozinho

Catarino Boiadeiro

Levantei de manhãzinha
Pra fazer uma viagem
Acordei meus companheiros
Dois caboclos de coragem

Enquanto arriei os burros
Arrumaram a bagagem
Pra buscar uma boiada
Perigosa e selvagem

Ao chegar na tal fazenda
Reuni a peonada
Mil e quinhentas cabeças
Para serem retiradas

Experiente na lida
Tocamos o gado na estrada
Sem saber que o destino
Preparava uma emboscada

Catarino rei do laço
Nunca errou uma laçada
Gostava de brincadeiras
Vivia dando risada

Chico preto no berrante
Repicando pra boiada
Caminhando a passo lento
Na poeira da estrada

Ao entrar a mata adentro
Uma res espaventou
Com o espanto do garrote
A boiada estourou

Catarino infeliz
Seu burrão se atrapalhou
O gado pisou por cima
E o seu corpo estraçalhou

Ao ver meu amigo morto
Me cortou o coração
Amontei ele em meu burro
Galopei pra povoação

Mandei benzer o seu corpo
Fui comprar o seu caixão
Voltei pra ajuntar o gado
Era a minha obrigação

Deixei de lidar com gado
Eu e mais meu companheiro
Silenciou o berrante
Naquele sertão inteiro

Na campa que ele descansa
Mandar fazer um letreiro
Aqui jaz um grande amigo
Catarino boiadeiro

Catarino Boiadeiro

Me levanté tempranito
Para hacer un viaje
Desperté a mis compañeros
Dos gauchos valientes

Mientras aparejaba los burros
Ellos arreglaban el equipaje
Para traer una manada
Peligrosa y salvaje

Al llegar a la hacienda
Reuní a los peones
Mil quinientas cabezas
Para ser llevadas

Experimentados en el trabajo
Guiamos al ganado por el camino
Sin saber que el destino
Preparaba una emboscada

Catarino, rey del lazo
Nunca falló un lazo
Le gustaban las bromas
Siempre riendo

Chico negro en el clarín
Tocando para la manada
Avanzando lentamente
En el polvo del camino

Al entrar en el monte
Una vaca se asustó
Con el susto del ternero
La manada se dispersó

Catarino desafortunado
Su burro se enredó
El ganado lo pisoteó
Y su cuerpo destrozó

Al ver a mi amigo muerto
Me partió el corazón
Lo monté en mi burro
Y galopé hacia el pueblo

Mandé a bendecir su cuerpo
Fui a comprar su ataúd
Regresé para juntar el ganado
Era mi obligación

Dejé de trabajar con ganado
Junto a mi compañero
Se silenció el clarín
En todo ese sertón

En la tumba donde descansa
Mandé hacer una lápida
Aquí yace un gran amigo
Catarino boiadeiro

Escrita por: Cidinho / Marcílio Castioni