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Hipérbole

Bravo e Meio

Hipérbole

Como fui cego, eu caí como ninguém
No pesadelo hiperbólico de quem
Transpira engano e precisa convencer a si mesmo

O silêncio em seus ouvidos arde como ferro em brasa
Que sempre extingue com o som da sua própria voz
Até que um dia o sincericídio aconteceu

Você é realmente pequeno
Já era na festa em que
Me disse, em prantos
E eu só não sabia o por que
Eu acho que faltou coragem

Você é realmente pequeno
Na primeira pessoa do plural
Me disse, em prantos
Mas não me mostrou o punhal
Eu já sangrava e não via

Como fui cego, eu acreditei em quem
Abafa insegurança com hipérbole
E eu introverso deixei baixa a guarda

Em retrospecto eu tinha todos os sinais
Pra matar a charada antes de me deixar
Levar por um carisma feito de plástico

Você é realmente pequeno
Mentindo na acareação
Eu já não tenho tempo ou ânimo pra te dar sermão
Caronte ganha duas moedas

Eu conheço hoje seu discurso
De cor e até de salteado
O portão pode ser de ferro mas
É de madeira o cadeado
Que a terra lhe seja pesada

Hipérbole

Como fui ciego, caí como nadie
En la exageración hiperbólica de quien
Transpira engaño y necesita convencerse a sí mismo

El silencio en sus oídos arde como hierro al rojo vivo
Que siempre se apaga con el sonido de su propia voz
Hasta que un día ocurrió el sincericidio

Realmente eres pequeño
Ya lo eras en la fiesta en la que
Me dijiste, llorando
Y yo simplemente no sabía por qué
Creo que faltó valentía

Realmente eres pequeño
En primera persona del plural
Me dijiste, llorando
Pero no me mostraste el puñal
Ya sangraba y no veía

Como fui ciego, creí en quien
Sofoca la inseguridad con hipérbole
Y yo, introvertido, bajé la guardia

En retrospectiva, tenía todas las señales
Para resolver el enigma antes de dejarme
Llevar por un carisma hecho de plástico

Realmente eres pequeño
Mintiendo en el careo
Ya no tengo tiempo ni ánimo para darte un sermón
Caronte gana dos monedas

Hoy conozco tu discurso
De memoria y hasta de memoria
La puerta puede ser de hierro pero
El candado es de madera
Que la tierra te sea pesada

Escrita por: Bravo e meio / Guilherme Teló / Manoel Pedro Miranda / Rodrigo Teles Neves / Daniel Achucarro