Carta de Alforria
Eu fui passar no lero-lero pra grelhar meu bife
Encontrei a Marinete toda de agasalho
Me chamou de mau caráter, cachorro, patife
Disse que minha carta está fora do seu baralho
Eu não sei qual o motivo dessa ignorância
Já que cedo eu lhe mostrei todo o meu apreço
Comprei carta de alforria da minha labança
Num samba sincopado sem saber do preço
O, Marinete, esse seu tino cheio de rancores
Um dia ainda vira em morte-matada
Você caminha a noite semeando amores
E colhe devaneios pela madrugada
Por conta de um vacilo etilico-noturno
E algum carmim vermelho na manga da mão
Você declara guerra,por farda e coturno
E sai mandando bala no meu coração
O Marinete, deixa disso
que eu esqueço o compromisso
tomo um bom cha de sumiço
e volto logo pra São João
Carta de Libertad
Fui a dar vueltas sin sentido para asar mi carne
Me encontré con Marinete toda abrigada
Me llamó de mal carácter, perro, sinvergüenza
Dijo que mi carta está fuera de su baraja
No sé cuál es el motivo de esta ignorancia
Ya que temprano le mostré todo mi aprecio
Compré una carta de libertad de mi trabajo
En un samba sincopado sin saber el precio
Oh, Marinete, tu intuición llena de rencores
Un día terminará en un enfrentamiento mortal
Caminas por la noche sembrando amores
Y cosechas ensueños en la madrugada
Por un desliz etílico-nocturno
Y algún carmín rojo en la manga de la mano
Declaras la guerra, por uniforme y botas
Y disparas directo a mi corazón
Oh Marinete, déjalo
que olvido el compromiso
me tomo un buen té de desaparición
y vuelvo pronto a San Juan
Escrita por: Fernando Entratice