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Blues del caminante

Bruno Ribeiro Marques

Andarilho blues

Estou saindo de casa agora
Mas eu não vou levar nada comigo
Só esse par de botas velhas
O telefone de uns poucos amigos
E o violão, bom companheiro
Das noites frias sem luar
Não troco sonho por dinheiro
Nem faço a vida esperar

E se sentir saudades de mim
Por favor, não venha me procurar
Acenda uma vela em minha homenagem
Beba uma pinga para celebrar
A vida, a história e as vãs tentativas de ser feliz
Eu não procuro um mar de glórias
Só quero fazer o que sempre quis

Vou engolindo poeira da estrada
Que eu percorro desde os tempos de menino
Das mãos de Deus pedi a caneta emprestada
Quero escrever meu próprio destino
Não sei o que a próxima curva vai me reservar
Não tenho alforje, nem cajado
Nem anjo pra me consolar

Do lixo alheio extraio o meu almoço
Cães vira-latas chegam pra jantar
Parcas moedas escondidas no meu bolso
Pagam a cachaça que mais tarde vou tomar
Se eu não sei onde me encontro
Você não vai me encontrar
Se eu não sei onde me encontro
Você não vai me encontrar

Blues del caminante

Estoy saliendo de casa ahora
Pero no llevaré nada conmigo
Solo este par de botas viejas
El teléfono de unos pocos amigos
Y la guitarra, buen compañero
De las noches frías sin luna
No cambio sueños por dinero
Ni hago esperar a la vida

Y si sientes mi ausencia
Por favor, no vengas a buscarme
Enciende una vela en mi honor
Toma un trago para celebrar
La vida, la historia y los vanos intentos de ser feliz
No busco un mar de glorias
Solo quiero hacer lo que siempre quise

Voy tragando polvo del camino
Que recorro desde tiempos de niño
De las manos de Dios pedí prestada la pluma
Quiero escribir mi propio destino
No sé qué me depara la próxima curva
No tengo alforja, ni bastón
Ni ángel para consolarme

Del basurero ajeno saco mi almuerzo
Perros callejeros vienen a cenar
Escasas monedas escondidas en mi bolsillo
Pagan la caña que más tarde tomaré
Si no sé dónde estoy
No me encontrarás
Si no sé dónde estoy
No me encontrarás

Escrita por: Bruno Ribeiro Marques