Antagonista
Eu sei que eu tô fora de moda
Barriguinha de chope incomoda
Prejudica o visual
Mas eu não sou de ir à academia
Ficar ouvindo música da Bahia
Fazendo abdominal
Você me diz que eu sou estranho
Que minha esquisitice não tem tamanho
E ao mundo eu tenho que me adaptar
Só porque eu não namoro vitrine
Shopping Center me deprime
Fast food me faz vomitar
Mas sei que nada disso importa
Personalidade morta
É o que recheia nosso belo corpo social.
Amputam todas as arestas
Me convidam pra essa festa
Mas parece que é meu funeral.
Tô mal
Eu sou a favor de tudo que é contra
Meu nado é de peito contra a onda
Escarro na cara do burguês
Eu boto fé é na minha descrença
Religião é uma grave doença
Um veneno pra minha lucidez
Não gosto de praia, não vou pra boate
Sou um animal fora do habitat
Quando chega o carnaval
E o que me oferece essa sociedade
Frases feitas de publicidade
Tão falsas quanto um cartão postal
Mas sei que tudo isso é besteira
O que importa é a maneira
De como é que eu vou me comportar
O que eu sou fica de lado
Dentro de um terno apertado
Não sobra espaço nem pra respirar
Assim não dá
Tão podre, tão sórdida, tão decadente
Tão falsa que bebe aguardente
Pra arrotar uísque escocês
Igual uma azeitona em boca sem dente
Eu fico perdido no meio dessa gente
Onde brota e cresce a estupidez
Tô longe de tudo, tô fora do meio
Tô ficando puto, tô de saco cheio
Já não aguento mais tanta encenação
Tudo que se faz é tão descartável
A razão é uma boneca inflável
Pra ser usada só em momentos de solidão
O ser humano é um sapatinho
Desejando amor, desejando carinho
Querendo ser um objeto de toda atenção
Até ser trocado por outro
Por um modelo mais vistoso
Da nova coleção
Eu não
Antagonista
Sé que estoy pasado de moda
La pancita de cerveza molesta
Arruina el aspecto
Pero no soy de ir al gimnasio
A escuchar música de Bahía
Haciendo abdominales
Tú me dices que soy extraño
Que mi rareza no tiene límites
Y debo adaptarme al mundo
Solo porque no salgo con maniquíes
El centro comercial me deprime
La comida rápida me hace vomitar
Pero sé que nada de eso importa
Personalidad muerta
Es lo que llena nuestro bello cuerpo social
Recortan todas las aristas
Me invitan a esta fiesta
Pero parece que es mi funeral
Estoy mal
Estoy a favor de todo lo que va en contra
Mi estilo de natación es contra la corriente
Escupo en la cara del burgués
Creo en mi incredulidad
La religión es una grave enfermedad
Un veneno para mi lucidez
No me gusta la playa, no voy a la discoteca
Soy un animal fuera de su hábitat
Cuando llega el carnaval
Y lo que me ofrece esta sociedad
Frases hechas de publicidad
Tan falsas como una postal
Pero sé que todo esto es tontería
Lo importante es la forma
En la que voy a comportarme
Lo que soy queda de lado
Dentro de un traje apretado
No queda espacio ni para respirar
Así no se puede
Tan podrido, tan sórdido, tan decadente
Tan falso que bebe aguardiente
Para eructar whisky escocés
Como una aceituna en una boca sin dientes
Me siento perdido en medio de esta gente
Donde brota y crece la estupidez
Estoy lejos de todo, estoy fuera de lugar
Me estoy hartando, estoy harto
Ya no aguanto más tanta actuación
Todo lo que se hace es tan desechable
La razón es una muñeca inflable
Para ser usada solo en momentos de soledad
El ser humano es un zapatito
Deseando amor, deseando cariño
Queriendo ser el centro de atención
Hasta ser cambiado por otro
Por un modelo más llamativo
De la nueva colección
Yo no
Escrita por: Bruno Ribeiro Marques