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Hombre del Campo de Verdad

Cacique e Pajé

Matuto da Gema

Eu nasci lá no sertão
E não nego a minha origem
Moro numa palhoça
E conservo a mata virgem
Lá o ar é mais puro
Eu não respiro fuligem
Como fruta sem veneno
As doenças não me atingem

Levanto de madrugada
Olho para o céu que brilha
Pra caçar bicho mateiro
Que deixar rastro na trilha
Eu não tenho arma de fogo
Uso flecha e armadilha
Porque tiro espanta a fauna
Que no meu quintal fervilha

Nas noites que não tem Lua
Pra espantar a solidão
Eu faço versos rimados
Sob a luz do lampião
A minha viola é de cocho
Eu mesmo que fiz à mão
Tiro acordes tão bonitos
E canto com emoção

Eu não faço pescaria
Em tempos de piracema
Os peixes na cachoeira
É uma beleza suprema
Também gosto do cerrado
Onde canta a seriema
Pertenço à natureza
Eu sou matuto da gema

Hombre del Campo de Verdad

Nací en el campo
Y no niego mi origen
Vivo en una choza
Y conservo la selva virgen
Allí el aire es más puro
No respiro humo
Como frutas sin veneno
Las enfermedades no me afectan

Me levanto al amanecer
Miro al cielo brillante
Para cazar animales salvajes
Que dejan rastro en el sendero
No tengo armas de fuego
Uso flechas y trampas
Porque el disparo asusta a la fauna
Que bulle en mi patio

En las noches sin luna
Para ahuyentar la soledad
Hago versos rimados
Bajo la luz del farol
Mi guitarra es rústica
Hecha por mí mismo
Toco acordes tan hermosos
Y canto con emoción

No pesco
En época de veda
Los peces en la cascada
Son una belleza suprema
También disfruto del cerrado
Donde canta la seriema
Pertenezco a la naturaleza
Soy un hombre del campo de verdad

Escrita por: Ademar Braga / CACIQUE / João Miranda