Meu Rio
Meu Rio
Perto da favela do Muquiço
Eu menino já entendia isso
Um gosto de Susticau
Balé no Municipal
Quintino:
Um coreto
Entrevisto do passar do trem
Nós nos lembramos bem
Baianos, paraenses e pernambucanos:
Ar morno pardo parado
Mar pérola
Verde onda de cetim frio
Meu Rio
Longe da favela do Muquiço
Tudo no meu coração
Esperava o bom do som: João
Tom Jobim
Traçou por fim
Por sobre mim
Teu monte-céu
Teu próprio deus
Cidade
Vista do outro lado da baía
De ouro e fogo no findar do dia
Nas tardes daquele então
Te amei no meu coração
Te amo
Em silêncio
Daqui do Saco de São Francisco
Eu cobiçava o risco
Da vida
Nesses prédios todos, nessas ruas
Rapazes maus, moças nuas
O teu carnaval
É um vapor luzidio
E eu rio
Dentro da favela do Muquiço
Mangueira no coração
Guadalupe em mim é Fundação
Solidão
Maracanã
Samba-canção
Sem pai nem mãe
Sem nada meu
Meu Rio
My Rio
My Rio
Near the Muquiço favela
As a boy, I already understood this
A taste of Susticau
Ballet at the Municipal
Quintino:
A bandstand
Interviewed by the passing train
We remember well
Bahians, Paráns, and Pernambucans:
Warm still air
Pearl sea
Green wave of cold satin
My Rio
Far from the Muquiço favela
Everything in my heart
Waited for the good sound: João
Tom Jobim
Finally drew
Over me
Your mountain-sky
Your own god
City
View from the other side of the bay
Of gold and fire at the end of the day
In those afternoons
I loved you in my heart
I love you
In silence
From here in Saco de São Francisco
I coveted the risk
Of life
In all these buildings, in these streets
Bad boys, naked girls
Your carnival
Is a gleaming steam
And I laugh
Inside the Muquiço favela
Mangueira in my heart
Guadalupe in me is Foundation
Loneliness
Maracanã
Samba-song
Without father or mother
Without anything mine
My Rio
Escrita por: Caetano Veloso