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No me llames por apodo

Café Coado

Não Me Chame de Apelido

Quenga doida e jumentinha
Macaxeira e caboré
Espingarda e catolé
Calça frouxa e chibatinha

Caçoleta e cachacinha
Corilame espremido
Peito mole, ói comprido
Bem feitinha encabojado

Jerimum desenchavido
Papo de pinto melado
Não me chame de apelido
Se não eu fico zangado

Vara de espetar trovão
Cara de limão azedo
Chifre de vaca com medo
Feitiço da mãe do cão

Pequeno que nem anão
Bico de peito caído
Barriga de angu cozido
Banha de leitão cevado

Feito égua esmorecida
Bicha louca amancebada
Não me chame de apelido
Se não eu fico zangada

Tem olhar de mãe de Lua
Tem cara de mamão macho
Tem beiço que nem riacho
Tem o andar de perua

Tem pose de doida nua
Venta de prego batido
Caribamba de vestido
Machuda, copo quebrado

Bicha feia, jornal lido
Gafanhoto desmamado
Não me chame de apelido
Se não eu fico zangado

Barriga de landuá
Caçarola, vela branca
Pau de lata, burra manca
Bode véi maracajá

Cospe longe Zé Tatá
Canapum enfraquecido
Mula velha, encardido
Oi de bila, embeiçado

Coceira de pé de ouvido
Nó cego arrepiado
Não me chame de apelido
Se não eu fico zangada

Negrinha do pajeú
Come quieto e capriote
Bicho da pança de pote
Mosca do oião azul

Mandinga de cururu
Boca de chupar sabão
Puxa saco do patrão
Troco de bebo esquecido

Já morreu e encardido
Sibite, beijo melado
Não me chame de apelido
Se não eu fico zangado

Vara de espetar trovão
Cara de limão azedo
Chifre de vaca com medo
Feitiço da mãe do cão

Pequeno que nem anão
Bico de peito caído
Barriga de angu cozido
Banha de leitão cevado

Feito égua esmorecida
Bicha louca amancebada
Não me chame de apelido
Se não eu fico zangada
Não me chame de apelido
Se não eu fico zangado

(Nega do pajeú, cabelo de arapuá)
(Beiço de sola, sibite baleado)

Não me chame de apelido
Se não eu fico zangado

(Mãe da Lua, bigode arame)
(Puxa saco do patrão)
(Boca de chupar sabão)

Não me chame de apelido
Senão eu fico zangado

No me llames por apodo

Quenga loca y burrita
Yuca y caboré
Escopeta y catolé
Pantalón flojo y fustita

Cacerola y cachaza
Corilame exprimido
Pecho blando, ojo largo
Bien bonita encorvada

Calabaza desencajada
Hablar de pene melado
No me llames por apodo
Si no me enojo

Vara de trueno
Cara de limón agrio
Cuerno de vaca asustada
Hechizo de la madre del diablo

Pequeño como un enano
Pico de pecho caído
Barriga de angu cocido
Grasa de lechón cebado

Como yegua desfallecida
Loca amancebada
No me llames por apodo
Si no me enojo

Tiene mirada de madre Luna
Tiene cara de papaya macho
Tiene labio como arroyo
Tiene andar de pava

Tiene pose de loca desnuda
Vientre de clavo golpeado
Caribamba de vestido
Machorra, vaso roto

Bicha fea, periódico leído
Saltamontes destetado
No me llames por apodo
Si no me enojo

Vientre de landuá
Cacerola, vela blanca
Palo de lata, burra coja
Viejo chivo maracuyá

Escupe lejos Zé Tatá
Canapum debilitado
Mula vieja, sucio
Ojo de bila, torcido

Comezón de pie de oído
Nudo ciego erizado
No me llames por apodo
Si no me enojo

Negrita del pajeú
Come callado y travieso
Bicho de panza de pote
Mosca del ojo azul

Mandinga de cururu
Boca de chupar jabón
Lamebotas del patrón
Cambio de borracho olvidado

Ya murió y sucio
Sibite, beso meloso
No me llames por apodo
Si no me enojo

Vara de trueno
Cara de limón agrio
Cuerno de vaca asustada
Hechizo de la madre del diablo

Pequeño como un enano
Pico de pecho caído
Barriga de angu cocido
Grasa de lechón cebado

Como yegua desfallecida
Loca amancebada
No me llames por apodo
Si no me enojo
No me llames por apodo
Si no me enojo

(Negra del pajeú, cabello de arapuá)
(Labio de suela, sibite herido)

No me llames por apodo
Si no me enojo

(Madre Luna, bigote de alambre)
(Lamebotas del patrón)
(Boca de chupar jabón)

No me llames por apodo
Sino me enojo

Escrita por: Carneiro Portela / Natinho da Ginga