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Vestido de Caim

CAIM

Vestido de Caim

Estou vestido de caim pra poder matar abel
Quem vai querer zombar de mim?
Sou general do meu quartel
Por vezes caim, eu sou joão
Maria quem sabe já me viu
Dizer que estou indo pro japão
Ou que sou rico no brasil

Estou num júri contra mim pra poder entrar no céu
Roubei as flores de carmim pra enfeitar o meu chapéu
Sou dono da casa engraçada
Sem teto e porta para entrar
De esmero e bobo
Não tenho nada que me caiba

Eu não quero vestidos da realeza britânica
Eu não quero bata de ouro com papa de orixá
Eu não quero colares de tons vulgares sem me tocar
Minha fantasia mania é o que me faz sobrevoar

Estou amando a manequim
A meretriz do meu bordel
Meu cigarro de alecrim
Causador do escarcéu
Me olho no espelho e quebro em faces
Mais de mil caras a me olhar
Sorrisos, olhos dissimulados, maquiados...
Estão tramando contra mim
De algoz eu virei réu
Abel sempre foi ruim, enganador, infiel
Na fuga fui preso em covardia

Jogado à força na prisão
Minha tropical melancolia
Pensamentos pelo chão
Cansaço
São tantos motivos na dança da corda que bamba no ar
Pra ver o dia nascer em outro lugar
E agora os meus pés já fazem sombra.

Vestido de Caim

Estoy vestido de caim para poder matar a Abel
¿Quién se atreverá a burlarse de mí?
Soy general de mi cuartel
A veces caim, a veces Juan
Quizás María ya me haya visto
Decir que me voy a Japón
O que soy rico en Brasil

Estoy en un juicio contra mí para poder entrar al cielo
Robé las flores carmesí para adornar mi sombrero
Soy dueño de la casa graciosa
Sin techo ni puerta para entrar
Con esmero y tonto
No tengo nada que me quede

No quiero vestidos de la realeza británica
No quiero batas de oro con papa de orixá
No quiero collares de tonos vulgares sin tocarme
Mi manía de fantasía es lo que me hace volar

Estoy amando a la maniquí
La prostituta de mi burdel
Mi cigarrillo de romero
Causante del alboroto
Me miro en el espejo y me rompo en caras
Más de mil rostros me miran
Sonrisas, ojos disimulados, maquillados...
Están conspirando en mi contra
De verdugo me convertí en reo
Abel siempre fue malo, engañador, infiel
En la huida fui atrapado por cobardía

Arrojado a la fuerza en la prisión
Mi melancolía tropical
Pensamientos por el suelo
Cansancio
Son tantos motivos en la danza de la cuerda que se balancea en el aire
Para ver el día amanecer en otro lugar
Y ahora mis pies ya proyectan sombra.

Escrita por: Achiles Neto / Marcus Marinho