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Sombra Blanca

Canário e Passarinho

Vulto Branco

Lá na roça toda a gente
Acredita em assombração
E na grande encruzilhada
Ninguém passa a noite não

Foi assim que um certo dia
Quando a festa terminou
O irmão que eu mais queria
Foi chegando e me falou

Já é tarde, meu irmão
E vai alta a madrugada
Por favor quando for embora
Não vai pela encruzilhada

Eu então disse pra ele
É bobagem, meu irmão
Por que é que eu vou dar volta
Se eu não creio em assombração

Eu montei no meu cavalo
E saí estrada afora
Pensando na assombração
Com fé em Nossa Senhora

Mas veio uma nuvem preta
E a Lua se escondeu
O meu cavalo empacou
E o meu corpo até tremeu

Eu vi na beira da estrada
Trepado em um barranco
Um vulto que balançava
Todo vestido de branco

Puxei da minha garrucha
Dois tiros dela saiu
Quando a Lua apareceu
Vi que a assombração caiu

O vulto ficou gemendo
A sofrer cheio de dor
Fui chegando perto dele
E o meu nome ele falou

Eu desci do meu cavalo
E fui ver quem era o tal
Vi que era meu irmão
Que veio pra me assustar

Sombra Blanca

Allá en el campo toda la gente
Cree en los espíritus
Y en la gran encrucijada
Nadie pasa la noche

Así fue que un cierto día
Cuando la fiesta terminó
El hermano que más quería
Se acercó y me dijo

Ya es tarde, hermano mío
Y la madrugada avanza
Por favor, cuando te vayas
No vayas por la encrucijada

Entonces le dije
Es una tontería, hermano mío
¿Por qué debería dar la vuelta?
Si no creo en los espíritus

Monté en mi caballo
Y salí por el camino
Pensando en los espíritus
Con fe en Nuestra Señora

Pero llegó una nube negra
Y la Luna se escondió
Mi caballo se detuvo
Y mi cuerpo tembló

Vi en el borde del camino
Encaramado en un barranco
Una sombra que se balanceaba
Vestida toda de blanco

Saqué mi pistola
Dos disparos salieron de ella
Cuando apareció la Luna
Vi que la sombra cayó

La sombra gemía
Lleno de dolor
Me acerqué a él
Y pronunció mi nombre

Bajé de mi caballo
Y fui ver quién era
Vi que era mi hermano
Que vino a asustarme

Escrita por: Jairo Ribeiro / Passarinho