A Apócope de Minh'alma
Estou sozinho
Conheço os porquês
Guardei os meus segredos
Perdoei inimigos
Perdi os sentidos
Me deixei vencer
Perante mim, ô imortal!
Ô fêmea de minhas carícias!
Iludido, segui
Camuflado, caminho
Por medo de perder
O resto de minhas asas
O falho senhor de mim mesmo
O único Deus que eu conheço
O estranho sangue que me corre
Sou eu
Egoísta, eu prossigo
Agora eu entendo
Envenenado, eu me perco
Mas perdido eu me encontro
Ferido então, eu me calo
No primeiro aviso eu fujo
Não estou mais sozinho
A escuridão me persegue
Que se ouçam as palavras
Lamentei meus pecados
Errei de bom grado
Queimei as páginas do livro
O falho senhor de mim mesmo
O único Deus que eu conheço
O raro amor que eu tive
Me partiu em dois
Mas agora eu me ergo
Jamais fui tão livre
Já não sou de ninguém
Me perdoe ou esqueça
Me ame ou me mate
Houveram noites, eu confesso
Que de teus fluídos, me alimentei
Sussurrei teus desejos
— Devorai a mim mesmo.
Com o semblante de meus cabelos
Sim, eu me tornei o forte!
Calejando as feridas que levei
O falho senhor de mim mesmo
O único Deus que conheço
Meu humilde guarda e companheiro
É a solidão
— Me guie ao céu, Beatriz.
A Apócope de mi Alma
Estoy solo
Conozco los porqués
Guardé mis secretos
Perdoné enemigos
Perdí los sentidos
Me dejé vencer
Ante mí, oh inmortal
Oh hembra de mis caricias
Iludido, seguí
camuflado, camino
Por miedo a perder
El resto de mis alas
El fallido señor de mí mismo
El único Dios que conozco
La extraña sangre que me corre
Soy yo
Egoísta, sigo adelante
Ahora entiendo
Envenenado, me pierdo
Pero perdido me encuentro
Herido entonces, me callo
En la primera advertencia, huyo
Ya no estoy solo
La oscuridad me persigue
Que se escuchen las palabras
Lamenté mis pecados
Erré a conciencia
Quemé las páginas del libro
El fallido señor de mí mismo
El único Dios que conozco
El raro amor que tuve
Me partió en dos
Pero ahora me levanto
Nunca fui tan libre
Ya no pertenezco a nadie
Perdóname o olvídame
Ámame o máteme
Hubo noches, lo confieso
Que de tus fluidos me alimenté
Susurré tus deseos
— Devórame a mí mismo
Con el semblante de mis cabellos
Sí, me convertí en el fuerte
Calmando las heridas que llevé
El fallido señor de mí mismo
El único Dios que conozco
Mi humilde guardián y compañero
Es la soledad
— Guíame al cielo, Beatriz
Escrita por: Henrique Reis