Menino da Rua
Eu era ainda menino
Quando perdi os meus pais
Saí pelo mundo afora
Meu Deus eu sofri demais
E fiz o sinal da cruz
Perante o Mestre Jesus
Lá não volto nunca mais
Minha cama foi de pedra
Pedra foi meu travesseiro
Ainda tão pequenino
Pra poder ganhar dinheiro
Sofri como um condenado
Por este mundo jogado
Foi grande meu desespero
Sem parentes e amigos
Que pudessem me ajudar
Às vezes passando fome
Sem ter aonde morar
Minha roupa rasgadinha
Nem sequer um sapatinho
Que eu pudesse me calçar
Chegava o dia das mães
Tão tristonho eu chorava
Vi todas as criancinhas
Sua mãezinha abraçar
Só eu que não tinha a minha
Ficava ali num cantinho
E pra ela eu rezava
Com muita dificuldade
Lutei no mundo sozinho
Na rua fui engraxate
Ganhando meu dinheirinho
Trabalhei de jornaleiro
Ajuntando meu dinheiro
Pra comprar meu caderninho
Quantas noites eu passei
Dormindo pelas calçadas
Sem sequer eu tinha nada
Para do frio me livrar
Fui crescendo e fiquei moço
Apesar do desatino
Eu sou aquele menino
Que vocês ouviram cantar
Niño de la Calle
Yo era apenas un niño
Cuando perdí a mis padres
Salí al mundo
Dios mío, sufrí mucho
E hice la señal de la cruz
Ante el Maestro Jesús
Allí no volveré nunca más
Mi cama era de piedra
La piedra era mi almohada
Aún tan pequeño
Para poder ganar dinero
Sufrí como un condenado
Por este mundo abandonado
Fue grande mi desesperación
Sin parientes ni amigos
Que pudieran ayudarme
A veces pasando hambre
Sin tener dónde vivir
Mi ropa toda rasgada
Ni siquiera un zapatito
Que pudiera calzarme
Llegaba el día de las madres
Tan triste yo lloraba
Veía a todos los niños
Abrazar a sus mamás
Solo yo que no tenía la mía
Me quedaba en un rincón
Y por ella rezaba
Con mucha dificultad
Luché en el mundo solo
En la calle fui lustrabotas
Ganándome mi dinerito
Trabajé de repartidor de periódicos
Juntando mi dinero
Para comprar mi libretita
Cuántas noches pasé
Durmiendo en las aceras
Sin tener absolutamente nada
Para protegerme del frío
Fui creciendo y me hice hombre
A pesar de los desatinos
Soy aquel niño
Que ustedes escucharon cantar
Escrita por: Praião II / Vicente P. Machado