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Poemas Zurdos

Carlos do Carmo

Poemas Canhotos

Estes poemas que chegam
Do meio da escuridão
De que ficamos incertos
Se têm autor ou não
Poemas às vezes perto
Da nossa própria razão
Que nos podem fazer ver
O dentro da nossa morte

As forças fora de nós
E a matéria da voz
Fabricada no mais fundo
De outro silêncio do mundo
Que serão eles senão
Uma imensidão de voz
Que vem na terra calada
Do lado da solidão

Estes poemas que avançam
No meio da escuridão
Até não serem mais nada
Que lápis, papel e mão
E esta tremenda atenção
Este nada

Uma cegueira que apaga
A luz por trás de outra mão
Tudo o que acende e me apaga
Alumiação de mais nada
Que a mão parada
Alumiação então

De que esta mão me conduz
Por descaminhos de luz
Ao centro da escuridão
Que é fácil a rima em Ão
Difícil é ver-se a luz
Rima ou não rima com a mão

Poemas Zurdos

Estos poemas que llegan
Desde el medio de la oscuridad
que estamos inseguros
Si tienen autor o no
Los poemas a veces se cierran
De nuestra propia razón
Eso puede hacernos ver
El interior de nuestra muerte

Las fuerzas fuera de nosotros
Y el asunto de la voz
Hecho en lo más profundo
Del silencio de otro mundo
¿Qué serán si no?
Una voz inmensa
Que viene a la tierra silenciosa
Del lado de la soledad

Estos poemas que avanzan
En medio de la oscuridad
hasta que no sean nada
Que lápiz, papel y mano
Y esta tremenda atención
esto nada

Una ceguera que borra
La luz detrás de otra mano
Todo lo que me enciende y apaga
Iluminando nada más
que la mano se detiene
Iluminación entonces

que esta mano me lleva
Por desviaciones de la luz
En el centro de la oscuridad
Es fácil rimar en ío
Es difícil ver la luz
Rima o no rima con la mano

Escrita por: Herberto Helder