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El Malvindo

Carlos Drummond de Andrade

O Malvindo

Vive dando cabeçada.
Navegou mares errados,
perdeu tudo que não tinha,
amou a mulher difícil,
ama torto cada vez
e ama sempre, desfalcado,
com o punhal atravessado
na garganta ensandecida.
Este, o triste cavaleiro
de tristíssima figura
que nem mesmo teve a graça
de estar ao lado de Alonso
e poder narrar eventos
nos quais entrou de mau jeito
mas com sabor de epopéia.
Nada a fazer como este tipo
avesso a qualquer romança
ou ode, apenas terráqueo,
ou nem isso, estraterráqueo,
de quem não se ouve um grito
mais além do que gemido,
nem uma palavra lúcida
varando o cerne das coisas
que esperam ser reveladas
e nós todos presentimos.
Inútil corpo, alma inútil
se não transfunde alegria
e esperança de renovo
no universo fatigado
em que repousa e não ousa.
Sua ficha - foi rasgada,
por ausência de sinais.
Seu nome - por que sabê-lo?
E sua vida completa
já nem é vida, é jamais.

El Malvindo

Vive dando cabezazos.
Navegó por mares equivocados,
perdió todo lo que no tenía,
amoró a la mujer difícil,
amora torcido cada vez
y ama siempre, desfalcado,
con el puñal atravesado
en la garganta enloquecida.
Este, el triste caballero
de tristísima figura
que ni siquiera tuvo la gracia
de estar al lado de Alonso
y poder narrar eventos
en los que entró de mala manera
pero con sabor de epopeya.
Nada que hacer como este tipo
reacio a cualquier romance
u oda, solo terrenal,
o ni siquiera, estraterrenal,
de quien no se escucha un grito
más allá del gemido,
ni una palabra lúcida
penetrando en el meollo de las cosas
que esperan ser reveladas
y todos presentimos.
Inútil cuerpo, alma inútil
si no transmite alegría
y esperanza de renovación
en el universo fatigado
en el que descansa y no se atreve.
Su ficha - fue rasgada,
por ausencia de señales.
Su nombre - ¿por qué saberlo?
Y su vida completa
ya no es vida, es nunca más.

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