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No puedo respirar

Carlos Madia

Não Consigo Respirar

Eu não consigo respirar
Nem ficar muito perto de você
Mas tem tanta coisa boa que a gente pode fazer
Na boa
Acho que dá pra ser diferente
Na boa
A gente pode fazer pela gente

Se a gente entender
Que ninguém é mais nem menos que ninguém
Não dá pra esquecer
Cê não tem o direito de sufocar alguém
Que quer acordar
Trabalhar, brincar, comemorar
Onde vai parar
Todo insulto, tumulto, sufoco
Essa falta de ar?

A toda hora somos
Desafiados
Comparados
Instigados
Vendidos
Comprados

Eu não sou contra o seu conforto
Sou contra o seu covarde confronto
Pois todas as vidas importam
E tudo o que é injusto, me deixa puto
E tudo que é desigual, é desigual
Eu contesto, protesto, eu inflamo, eu reclamo, eu clamo
Eu vou até o final

Tanta gente arrogante que se acha
E encontra na trapaça um modo de viver
E você?
Tá onde?
Em qual bonde você tá?
Tá botando a culpa no outro, tá?
Hã! Diga lá!

Não é fácil sermos seres humanos
É uma sofrida realidade
E tá nos seus planos
A palavra comunidade?
É uma responsabilidade
E sabe o assistencialismo que mata a fome, mas não resolve de verdade?
E nem quer resolver
É só ali naquela hora um prato pra comer
Aponta pro pobre o revólver, resolve?
Revólver, resolve?
Resolve o revólver?
E a panela continua vazia
Onde está o seu Deus?
Onde mora o seu Deus?
Pessoas oprimidas
Reprimidas
Comprimidas
Deprimidas
Vão embora com a vida numa mala, numa sacola
Em busca de coro, voz, valor
E como se já não bastasse todo o mal
Ainda tem o agiota emocional
Isso aí não tá legal

Somos mato e floresta
Não desmate o que nos resta
Não sufoque o planeta

Sufoque as dores
Pois somos todas as cores
Inclusive a preta

Somos índios
Africanos
Brothers, manos, hermanos

Somos buda
Umbanda e
Candomblé, é!

Somos tudo, tudo cabe
Somo até o que a gente não sabe
Somos tudo o que imaginar
E pode crer, isso um dia vai passar
A gente só não pode morrer
Sem poder respirar

No puedo respirar

No puedo respirar
Ni estar muy cerca de ti
Pero hay tantas cosas buenas que podemos hacer
En serio
Creo que podemos ser diferentes
En serio
Podemos hacerlo por nosotros

Si entendemos
Que nadie es más ni menos que nadie
No podemos olvidar
No tienes derecho a sofocar a alguien
Que quiere despertar
Trabajar, jugar, celebrar
¿A dónde va a parar
todo insulto, tumulto, sofoco
Esta falta de aire?

A cada momento somos
Desafiados
Comparados
Instigados
Vendidos
Comprados

No estoy en contra de tu comodidad
Estoy en contra de tu cobarde confrontación
Porque todas las vidas importan
Y todo lo injusto me enoja
Y todo lo desigual, es desigual
Yo cuestiono, protesto, me enciendo, me quejo, clamo
Voy hasta el final

Tanta gente arrogante que se cree
Y encuentra en el engaño una forma de vivir
¿Y tú?
¿Dónde estás?
¿En qué andas metido?
¿Estás echándole la culpa a otro, eh?
¡Dilo!

No es fácil ser seres humanos
Es una realidad dolorosa
Y está en tus planes
¿La palabra comunidad?
Es una responsabilidad
¿Y sabes que la asistencia que mata el hambre, no resuelve de verdad?
Y no quiere resolver
Es solo en ese momento un plato para comer
¿Apuntas al pobre con la pistola, resuelves?
¿Resuelve la pistola?
¿Resuelve la pistola?
Y la olla sigue vacía
¿Dónde está tu Dios?
¿Dónde vive tu Dios?
Personas oprimidas
Reprimidas
Comprimidas
Deprimidas
Se van con la vida en una maleta, en una bolsa
Buscando coro, voz, valor
Y como si no fuera suficiente todo el mal
Todavía está el prestamista emocional
Eso no está bien

Somos maleza y bosque
No desmontes lo que nos queda
No sofoces al planeta

Sofoca los dolores
Porque somos todos los colores
Incluso el negro

Somos indios
Africanos
Hermanos, compas, hermanos

Somos budas
Umbanda y
Candomblé, ¡sí!

Somos todo, todo cabe
Somos incluso lo que no sabemos
Somos todo lo que puedas imaginar
Y créeme, esto pasará algún día
Solo no podemos morir
Sin poder respirar

Escrita por: Carlos Madia