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Pé-de-moleque

Carlos Niehues

Pé-de-moleque

Machuquei meu pé
Quando caminhava descalço
No encalço
Das pedras raras do muro de Berlim

Espetei meu pé
Quando partilhava da dança, esperança
Das cores raras Mandela-Marfim

Sobre um piso de pelúcia
Passos leves de camurça
Sapatinhos de Imelda Marcos
Carrapatos, Carapuça

Vai pra Meca, vai pra Roma
Vai pra longe o velho monge
Tão careca de tanto rezar
Pela paz, tanto faz
Em que língua vai querer rimar

Na arena os leões
São dragões aço
Que abusam do espaço dourado do paço
De El Salvador

E no ar ligeira
Águia estrangeira que parte do norte
Vem mudar a sorte
Presas de isopor

Sobre a areia movediça
Herculoide de bobiça
Leva o mundo sobre os ombros
Mambos, tombos, tangos e malícia
Mas só se pisa no mundo
Se os pés deixarem marcas
De um retorno mais profundo
Pela paz
Tanto faz
Em que língua vai querer rimar

Pé-de-moleque

me lastimé el pie
Cuando caminaba descalzo
en el camino
De las raras piedras del Muro de Berlín

metí el pie
Cuando compartí el baile, esperanza
De los colores raros Mandela-Marfil

En un piso lujoso
Peldaños de ante ligero
Zapatos de Imelda Marcos
Garrapatas, Carapuça

Ve a La Meca, ve a Roma
Vete viejo monje
Tan calvo de orar
Por la paz, lo que sea
¿En qué idioma querrás rimar?

En la arena los leones
son dragones de acero
¿Quién abusa del espacio dorado del palacio?
De El Salvador

Y en el aire ligero
Águila extranjera partiendo del norte
Ven a cambiar tu suerte
Colmillos de poliestireno

Acerca de las arenas movedizas
Herculoide tonto
Toma el mundo sobre tus hombros
Mambos, volteretas, tangos y malicias
Pero sólo entras al mundo
Si tus pies dejan marcas
De un retorno más profundo
Por la paz
Lo que
¿En qué idioma querrás rimar?

Escrita por: Carlos Niehues